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POLÍTICA II Política é política, negócios à parte Quando se fizer um estudo sociológico sério a política pernambucana desde os primordios da República se chegará facilmente à conclusão de que a vida pública neste Estado sempre foi exercida, com raríssimas escessões, por homens oriundos da classe média. As chamadas "famílias abastadas" do Estado sempre se dedicaram aos seus negócios, deixando o exercício da política para outras pessoas. Grosso modo, Pernambuco assistiu nos últimos 50 anos à ascensão (e às vezes decadência) de famílias tradicionalmente ligadas a setores fortes da economia, como os "Bandeira de Mello", os "Tavares de Melo", os "Brennand", os "Bezerra de Mello", os "Lundgren", os "Pessoa de Queiroz" os "Monteiro", os "Petribu", os "Costa Carvalho" e os "Queiroz Galvão", entre outras. Mas a maioria delas jamais se envolveu diretamente com política. De 1919 (ano em que o Jornal do Commercio foi fundado) até 1998, a maioria esmagadora dos governadores pertenceu à classe média. No anos da fundação do jornal o governador era Manoel Borba (1915-1919), seguindo-se Sérgio Loreto, Estácio Coimbra, Carlos de Lima Cavalcanti (após a Revolução de 30), Barbosa Lima Sobrinho após a redemocratização), Agamenon Magalhães Etelvino Lins de Albuquerque, Cordeiro de Farias, Cid Sampaio, Miguel Arraes, Paulo Guerra, Nilo Coelho, Eraldo Gueiros Leite, José Francisco de Moura Cavalcanti, Marco Antonio Maciel, José Muniz Ramos, Roberto Magalhães, Gustavo Krause, Miguel Arraes (2º mandato), Joaquim Francisco de Farias Cavalcanti, Miguel Arraes (3º mandato) e Jarbas Vasconcelos. À excessão de Cid Sampaio - que quando se elegeu governador em 1958 era próspero usineiro em Pernambuco e presidente da Federação das Indústrias - e Nilo Coelho - que pertencia a uma família de industriais com raízes em Petrolina -, todos os outros governadores são oriundos da classe média, cuja dedicação à vida pública é praticamente integral. É o caso de Marco Maciel, Roberto Magalhães, Miguel Arraes, Joaquim Francisco, Jarbas Vasconcelos e Gustavo Krause. Todos eles, sem excessão, não possuem nenhum tipo de negócio, nenhum tipo de empresa, não têm projetos financiados pela Sudene e não possuem sequer uma emissora de rádio, como acontece com outros grupos políticos do Estado, como os Coelho (donos de rádio e TV em Petrolina), Inocêncio Oliveira (dono da TV Asa Branca de Caruaru e de diversas emissoras de rádio nos sertão), como o grupo Mendonça (dono de emissora de rádio em Belo Jardim), o deputado Tony Gel (dono da rádio Liberdade de Caruaru) e muitos outros. Daquelas tradicionais famílias que historicamente sempre controlaram um pedaço expressivo do PIB pernambucano, a única que se envolve mais diretamente com política é a de Armando Monteiro Filho, que passou o bastão para o filho, Armando Monteiro Neto, eleito deputado federal pelo PMDB com cerca de 90 mil votos e presidente da Federação das Indústrias do Estado de Pernambuco. |
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