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CADERNO C
JC ainda é a grande escola de jornalistas

Considero-me um exemplo do famoso dito: O Jornal do Commercio, mais que um jornal, é uma escola de jornalismo. Comecei aqui, no Diário da Noite, em 69, sob as ordens de Ronildo Maia Leite. Estávamos em plena ditadura, trabalhando com um oficial militar na Redação, lendo tudo que escrevíamos e riscando o que achava ser impróprio para o público saber. Mesmo assim, Ronildo nos estimulava a não praticar a auto-censura. "Já que esse camarada está aí, vamos dar trabalho pra ele", comentávamos.

Caprichávamos para manter acesa a idéia de um jornalismo correto e coerente, mesmo sabendo que era inútil, dada a pressão e o autoritarismo institucionalizado. Assim, aprendi tanto e em tão pouco tempo que, dois anos depois, era admitido sem testes no Jornal da Tarde, do Estado de São Paulo, considerado na época o melhor jornal vespertino do Brasil.

Depois, andei fazendo free-lancers na Bloch, na revista Crítica, no Flor do Mal (jornal alternativo, voltado para a contracultura, editado pela turma do Pasquim). Voltei para Recife e trabalhei no Diário de Pernambuco. Mas a primeira paixão foi mais forte e terminei voltando ao JC, em 85. De início como repórter de Cidades, depois de Política e, finalmente, do Caderno C. Logo em seguida fui indicado para comandar a equipe, cargo que ocupo até hoje.

E hoje vejo que o "bom e velho" - e novíssimo! - JC continua sendo uma escola. Quantos jovens que começaram aqui, ainda estudantes, hoje estão distribuídos por jornais e revistas de todo o país, competentes e respeitados? Conheço vários. E me orgulho de que alguns passaram por minhas mãos. Espero que tenha lhes transmitido tudo que aprendi aqui. Principalmente a noção de que jornalismo, entre outras coisas, tem que ser feito com correção e coerência.

Marco Polo
Editor do Caderno C

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