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COMPORTAMENTO - Anos 20 Bondes elétricos guiam uma década glamourosa
Definitivamente, esses anos 20 chegavam com pressa de levar todos a qualquer parte: Coelhos, Derby, Aflitos, Torre, Madalena, Ponte D'Uchôa, Espinheiro, Encruzilhada, Casa Amarela, Ponto de Parada, Fundão, Água Fria, Beberibe, Hipódromo, Campo Grande, Peixinhos, Pina, Boa Viagem, Casa Forte, Apipucos, Dois Irmãos, Várzea e à cidade vizinha de Olinda, até Varadouro, Carmo e Farol. Os bondes podiam ser abertos e simples ou fechados e luxuosos, como os zepelins e as cristaleiras. Os lorés eram os de terceira categoria, destinados ao transporte de cargas, animais ou da população mais pobre.
A contrapartida feminina: cabelo "a la garçonne", descobrindo a nuca, vestidos de cintura baixa, escandalosamente curtos para os padrões da época, arranjos para a cabeça e, o pior de tudo, boca pintada de vermelho à moda das estrelas de cinema: Mia May, Pearl White, Corina Griffith e a eterna Leda Gish. A Rua Nova era o endereço certo para o flerte que corria solto. A pé (o famoso footing) ou de carro, a classe média recifense jogava o seu charme. Circulavam os Ford, Laurent, Detriz, Mercedes, Metalurgique, Overland, cuja velocidade assustava os pedestre e o "fonfonar" era recado inequívoco para alguma senhorita. Na Rua Nova ficavam ainda os cinemas Pathé, Vitória e Royal, que se somavam a mais uma dezena de outras salas espalhadas pela cidade. O cinema era uma força emergente na vida sócio-cultural da cidade. As novidades chegavam também pelo rádio quando, em 1923, eram feitas as primeiras experiências em radiodifusão com a fundação da PRA-8, a Rádio Clube de Pernambuco. Localizada na Rua da Aurora, trazia, na sua programação diária, música de gramofone, números de canto, declamação de poesias, notícias de esportes e atividades culturais. CICLO DO RECIFE- Não demorou muito para que o Recife passasse do sonho à ação. A fundação da Aurora-Filmes, de Gentil Roiz, Ari Severo e Mário Furtado de Mendonça, no ano de 1925, com o lançamento de Retribuição, dirigido e roteirizado por Roiz, estrelando Almeri Esteves, foi um marco decisivo para que a cidade se tornasse um importante pólo de produção cinematográfica. A temporada de Retribuição, assim como de outras produções da Aurora-Filmes, só poderia competir com os filmes estrangeiros se contasse com a colaboração dos exibidores locais. O português Joaquim Matos, do Cine Royal, se prontificou a abrir as portas de sua sala para escoar a produção da "Hollywood brasileira". E ela vem farta: Jurando Vingar, A Filha do Advogado, Herói do Século XX e o grande sucesso Aitaré da Praia, entre outros. Os pioneiros do cinema pernambucano, inclusive o câmera Edson Chagas, não receberam prêmios pela ousadia de levar adiante um sonho que era monopólio norte-americano. Afundados em dívidas, eles esqueceram o celulóide e partiram para uma nova década, mais objetiva, mas certamente menos glamourosa. |
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