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COMPORTAMENTO - Anos 30 Zeppelin traz a época dos filmes sonoros
Mesmo assim, a aparição do Graf Zeppelin, no dia 22 de maio de 1930, causa comoção. O grande charuto prateado, pilotado pelo comandante Hugo Eckener, sobrevôa a cidade a 300 metros de altura, saudado pelos moradores do Recife que, encarapitados nos edifícios mais altos da cidade, observavam seu trajeto rumo ao Campo do Jiquiá. A cidade continua com seu clima de belle époque: as orquestras passam a incorporar o jazz ao seus repertórios, o número de salas de cinema sobe para 18, e os filmes sonoros vêm pôr uma pá de cal na produção cinematográfica made in Recife, junto com as orquestras que animavam as exibições dos filmes mudos da década passada. Damas e cavalheiros ganham ares mais "globalizados", ou menos "provincianos". O banho de mar durante o verão torna-se hábito consagrado. Nesta estação, poucas são as famílias que (não) migram para Olinda ou Boa Viagem. Os patriarcas, não podendo tirar férias, junto com a esposa e a criançada, levam-nos em carros alugados, atulhados de toda a sorte de tranqueira: de cortinados a doce de jaca. Boa Viagem, um ermo ainda sem transporte público, recebe as famílias endinheiradas do açúcar; Olinda democratiza o banho de mar graças aos bondes. Os trajes são roupas inteiriças para homens e mulheres, uma espécie de maiô feito de um tecido grosso, quase sempre preto, que não revela a totalidade das formas femininas. As matronas ainda resistem e preferem se banhar nos camisolões de antigamente.
Os ingleses levavam o esporte tão ou mais a sério que os brasileiros e se encarregaram da criação dos primeiros times. Os funcionários da Great Western, Western Telegraph e Tramways já jogavam entre si, e não tardou para para que a socialização com os brasileiros começasse a acontecer, e as disputas com times locais como o Flamengo, o Torre, o Peres e o América ficassem cada vez mais acirradas. O Tramways ("Trâmis"), inclusive, chegou a ser campeão estadual em 1936 e 1937. A influência inglesa, aliás, encontra-se no auge. A inauguração do The British Country Club como uma segunda casa das famílias britânicas e ponto de confraternização binacional, no início da década passada, vem aumentar a mistura de influências. Se o brasileiro passa a incorporar em seu vocabulário palavras como goal-keeper, center-forward e off-side, o inglês passa a ser um amante dedicado dos bailes de Carnaval. É uma década ruidosa esta. Ninguém desconfia que uma segunda guerra mundial se avizinha, mas o clima no país não parece ser tão livre de nuvens assim. No dia 26 de julho de 1930, João Pessoa, o presidente da Paraíba, que, segundo os costumes da época, sempre que vinha ao Recife encontrava-se com industriais e políticos para debater a delicada situação da política nacional, é morto a tiros por João Dantas, que apoiava o governo federal. Durante praticamente toda a década, a cidade convive com os conflitos que explodem nas ruas e nos quartéis. A cidade respira no mesmo ritmo do resto do país, entre suspiros aliviados da vida mundana, e arquejos de suspense quanto ao futuro nacional. A década de quarenta está ali na esquina, e, esta sim, mudaria os costumes como nunca no Recife tradicional. |
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