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COMPORTAMENTO - Anos 50 Rebeldes chegam de fusca, ouvindo Elvis
Apenas uma década, mas nada parecia igual. José Pernambucano da Silva olhava abismado para as mocinhas, que até então mal ousavam descobrir o joelho, a desfilar sozinhas pelas ruas, trajando calças compridas. Definitivamente, o American Way of Life havia deixado marcas nos hábitos dos pernambucanos e nada havia a fazer a não ser acostumar-se com os novos tempos, uns a espernear mais, outros menos. Algumas coisas levam mais tempo para mudar, ou não mudam nunca: a paixão pelo Carnaval (os bailes nos clubes sociais e o Corso ainda aconteciam), os cinemas nos bairros (ainda eram numerosos), a virgindade (continuava sendo pré-requisito para um bom casamento). 50 foi uma década que não devia ter acabado. Um suspiro de alívio na tensão provocada pela Guerra. Alguns sinais, no entanto, indicavam uma mudança brusca no comportamento. Os anos 50 foram a manjedoura de tudo o que viria pipocar nos anos 60: os beatniks, os hippies e até os revolucionários. Era a chamada "juventude transviada", a primeira vez que grupos de jovens com gostos afins eram rotulados. O que os unia, além do rock, da calça jeans, das camisetas e ídolos como Marlon Brando (O Selvagem) e James Dean (Juventude Transviada) era a rebeldia. A trilha sonora era Bill Halley, com o Balanço das Horas, e Little Richard, com Tutti Frutti. Tinha, ainda, Elvis, the Pelvis, e os Irmãos Campello gravavam seu primeiro 78 rotações. O bambolê era a grande mania nacional e uma campanha, que pretendia interromper seu sucesso, apregoava os males na coluna e articulações por ele provocados. Nos Estados Unidos e Europa essa rebeldia era o resultado do pós-Guerra. No Brasil, dizia-se, era pura imitação. Parte da responsabilidade caía nas costas das mulheres que inventavam de trabalhar fora ou delegar às empregadas domésticas a tarefa de criar os filhos. Ser mulher continuava não sendo fácil: como se comportar diante do moderno que andava de braços dados com o tradicional? Entrar sozinha no carro do namorado ou noivo não podia; saia curta também não; ser desquitada era sinônimo de ser "galinha". Casar ainda era a maior meta da mulher nos anos 50 e, depois disso, ficava vetado o uso da calça comprida.
Os assustados faziam a cabeça da juventude recifense. Sem aviso prévio, invadia-se a casa da vítima, tendo na mão uma garrafa de rum e várias de Coca-Cola, para preparar o indefectível Cuba-Libre, salgadinhos e pronto. Era só afastar as cadeiras e botar a radiola para tocar o disco do The Platters ou o ousadíssimo Elvis Presley, uma novidade que apenas os mais enturmados já tinham descoberto. Freqüentar bares, tal qual no Rio de Janeiro, passava a fazer parte do cotidiano, mas apenas para os mais liberais e intelectualizados. De resto, a vida social ainda se passava dentro de casa, na esfera do privado. |
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