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COMPORTAMENTO - Anos 60
E vem a liberação sexual... Importa como?

Quando se fala nos anos 60, vem logo à mente - especialmente dos que não viveram a época - imagens recorrentes de rapazes barbudos e moças liberadas que amavam a revolução, como se todo o Recife fosse um paraíso de liberdade e falta de preconceito.

O Recife, que sempre foi uma cidade dividida entre o tradicional e o moderno, desta vez dividia-se entre o moderno e o moderno, deixando a tradição para o "velhos", quadrados. Isto absolutamente significa que as principais tribos da cidade rezassem pela mesma cartilha, ou lessem os mesmos livros, ou vissem os mesmos filmes, ou ouvissem as mesmas músicas.

De um lado, os modernos "alienados": roupas da grife calhambeque, lançada por Roberto Carlos e a Turma da Jovem Guarda. Um guarda-roupa que consistia em calças bicolor, sapatos cavalo-de-aço, medalhões, cinturão largo e um curioso troféu de guerra. Era prática comum o roubo de "carcarás" de fusca para virarem colares (aquela peça por onde sai a água que limpa o pára-brisa) e de "brucutus" de Rural para virarem pulseira (a tampa do tanque de gasolina cortada na parte superior). A música favorita vinha de "conjuntos" como The Monkeys, The Archies e Carpenters. Além, é claro, do Roberto, do Tremendão, da Wandeka e todo o seu séquito. Uma Brasa, mora.

Do outro lado, os modernos "cabeça": cabelos longos nos homens e mulheres, barba longa (de preferência só nos homens); roupas menos berrantes do que as usadas pelos seguidores de RC, uma certa tendência a se identificar com o existencialismo Sartreano também no visual: mais para o clean, blusa de uma só cor (melhor se em tom escuro), de helanca e com gola rulê. O que viria ser o visual hippie começava a surgir com algumas roupas mais soltas.

VIDA SOLTA - Não era fácil viver nos anos 60. Eram maravilhosos os anos 60. A revolução primeira tinha de ser a sexual: as garotas estavam liberadas (não por seus pais, é claro) para fazerem o que quisessem com os seus corpos, mas era preciso jogar muita conversa para convencê-las de que aquilo era realmente o melhor para elas.

Como diria, no futuro, Reginaldo Rossi, que por essa época cantava Tô Doidão: "A pílula já existia, mas nem se falava, e dos muitos conselhos que sua mãe lhe dava tinha um que dizia só depois de casar". Nada a ver. Se tivesse aparecido nos anos 50, a superdose de estrógeno teria evitado, no mínimo, os versos de Mauro Mota sobre o futuro das pobres jovens engravidadas por soldados norte-americanos, que dizia assim: "...Meninas, tristes meninas, vossos dramas recordai quando eles no armistício vos disserem good bye. Ouvireis a vida toda a ressonância do choro dos vossos filhos sem pai".

A vida noturna já não tinha as restrições de antigamente. O papo rolava solto, madrugada a dentro, em barzinhos (como preferiam os modernos "cabeça") como o Cabana, no Parque 13 de Maio, ou em assustados movidos a Cuba-Libre (como preferiam os "playboys alienados").

A televisão fazia a sua estréia com a TV Jornal do Commercio, canal 2, que transformou a cidade num programa de auditório onde pontilhavam estrelas de todas as galáxias e quilates. Os cinemas de bairro começavam a sentir a força da televisão, embora ainda conseguissem resistir bem durante quase toda a década. McLuhan era o novo guru, profetizando uma aldeia global, onde todos não apenas sabiam, como podiam ver tudo o que acontecia na casa do vizinho.

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