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COMPORTAMENTO - Anos 70 De avião, EUA mandam o salto e a meia de lurex
Era época dos debates inflamados nas universidades e tanta agilidade exigia um figurino: jeans e camiseta - um lay out básico de muitas variações. As famílias de classe média, que tinhas seus filhos em curso superior, andavam na ponta dos pés, afligindo-se para que não se metessem em "complicações". Era tempo de queimar livro em biblioteca completa. Por outro lado, os ecos do tropicalismo reverberavam e desenhavam um outro painel sobre um mesmo fundo: arte e discurso era o que se ouvia em todo o canto. As amarras sexuais já se soltavam e a juventude tentava aproveitar o que dizia a época: ninguém é de ninguém. A FESTA - O visual engajado (pacifista ou belicoso) resistiu o quanto pôde até o final dos anos 70, mas o demônio da alienação é mais forte e, além do mais, veste-se superbem. Não havia mais espaço para camisetas com slogan e vestidos longos que visavam mais o conforto que a sedução. A idéia de resistir ao imperialismo ianque estava sendo sepultada em lurex e perfurada por salto agulha. A moda, direta ou indiretamente, refletia a ideologia de uma época e esta queria fazer com que todos acreditassem que a vida era uma festa. Esse clima de alienação "espontânea" produziu um dos vestuários mais absurdos de todos os tempos: saia longa e rodada para as mulheres, acompanhadas por sandálias de salto alto e meias de lurex. Os homens iam de calças de boca larga e camisas chamativas. O dia parecia não existir. Nele, as pessoas se diluíam em seus afazeres diários, do modo mais banal possível. À noite todos viravam figurinos, dançando ao som de músicas que exaltavam aquele tipo de vida. Qualquer resistência ao "imperialismo ianque" era coisa do passado. Hollywood invadia os cinemas do centro, e os cinemas de bairros eram dizimados pela especulação imobiliária. O Recife absorvia todos os ecos dos States: a estética das casas noturnas como a Studio 54, de Nova York, eram importadas e traduzidas na linguagem local. A atitude era menos pensante: a preferência recaía em filmes que traduziam o universo e a realidade de jovens norte-americanos. Realizado em 1969, Hair, de Milos Forman, só foi liberado em território nacional mais de 11 anos depois, com censura 18 anos, já enfraquecido pela diluição da carga ideológica da época para a qual foi criado. Mesmo assim, atingiu a confusa juventude brasileira com uma força centrípeta: ao mesmo tempo em que pregava o não engajamento em causas políticas - uma condição quase sine qua non do recifense médio -, ainda era um símbolo contra a repressão e o establishment. Já no início dos anos 80, ainda com ecos dos anos 70, Hair fez muita gente subir em carros (e pagar por isso) como foi visto no cinema. A desaceleração do ímpeto dos anos 70 foi conseguida à custa de muito arrocho. A geração que agitaria a cidade na década seguinte, ditando as regras de comportamento e a forma como essa atitude seria encarada por pais e mestres, retrata bem o que foram os últimos acordes de um trilha sonora ponteada por guitarras histéricas e slogans guturais. |
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