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REGIONAL II Saídas simples para um problema clássico O agricultor Almiro José de Souza, 58 anos, é um dos poucos que, junto com sua esposa e seus dois filhos menores, está conseguindo passar ileso à seca que vem sendo enfrentada pelos nordestinos nos últimos dois anos. Vivendo numa propriedade rural de 200 hectares numa área de sequeiro de Petrolina, no Sertão do São Francisco, ele segue instintivamente a todas as orientações recomendadas para viver bem no Semi-árido pelos técnicos do IRPAA e do Cpatsa. A sua "sabedoria natural" faz com que hoje - mesmo não chovendo há mais de um ano no distrito de Uruás, onde está seu sítio - não falte alimento nem água para sua família e os animais que cria. A água para o consumo interno está acumulada nas três cisternas que construiu ao redor de sua casa. Duas delas, foram feitas com recursos próprios e a outra foi financiada há quatro anos por um programa da prefeitura municipal. Para maior garantia, ele também mantém em sua propriedade um poço artesiano, que constantemente fornece água para os animais, e diversos barreiros que também são utilizados para guardar água quando chove. "Se não fossem estas cisternas nós já tinhámos morrido de seca", diz, ao informar que o açude que fornece água para o distrito está seco há mais de um ano. Seu Almiro ressalta que no clima que vive não é interessante criar gado. "Só tenho quarenta cabeças para tirar leite e outras para abate", explica, ao informar que se dedica à criação de 800 cabras e ovelhas. "Estes bichinhos são meus funcionários. Passam o dia no pasto para a noite trazer o adubo que uso nos meus roçados", completa. O adubo produzido pelo rebanho de ovinos e caprinos é utilizado para melhorar a terra arenosa, onde planta palma, algaroba, mandioca e capim buffel para fazer ração para os animais. "Mas é importante lembrar que não se deve destruir a vegetação nativa, que é o que reforça a alimentação dos bichinhos", ensina, ao dizer que foi essa estratégia que permitiu que ano passado não faltasse comida para o rebanho. O agricultor também cria abelhas em 20 colméias, de onde nos tempos de inverno chega a tirar 300 litros de mel, dos quais 100 são para consumo da família e 200 são vendidos. Para sua alimentação, ele planta feijão, milho e mandioca, que só são comercializados quando há sobras. "Este ano que passou não deu para sobrar muita coisa", conta. O segredo para terra produzir mais, segundo ele, está em não fazer queimadas. "Assim a chuva penetra mais no solo e impede que o sol destrua com mais rapidez as plantas". Ouvindo seu Almiro falar desta forma pode-se imaginar que ele precisou recorrer a financiamento para equipar sua propriedade. Contudo, ele diz que não recorreu aos bancos nos últimos 12 anos. "Eu vendo uma parte do rebanho e aplico aqui na terra mesmo", relata, ao dizer que em 98 acabou pedindo um empréstimo bancário no valor de R$ 11,5 mil para plantar mais algaroba e palma com medo da seca "que foi grande". "Contudo, nem precisei investir o dinheiro todo neste plantio e aproveitei uma parte para investir no roçado". Para seu Almiro, o sertanejo precisa apenas utilizar os recursos que conta. "Isso diminui em cerca de 80% os efeitos da seca", garante. Ele relata que num período de 10 anos no Sertão há três de chuvas boas, quatro de pluviosidade média e dois em que não chove nada. "Por isso é preciso mexer com muitas coisas e se preparar para guardar o que se consegue produzir nos anos bons para nos servir nos de seca", afirma. Contudo, ele lembra que é necessário muita coragem para viver no Sertão. "Sair daqui não é a solução, mas quem fica precisa ter força para enfrentar a natureza". |
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