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REGIONAL III Como outros países convivem com regiões de clima semi-árido Não apenas a população do Nordeste brasileiro sofre as conseqüências do clima semi-árido. Os povos do México, Peru, Bolívia, Venezuela (América), Senegal, Sudão, Quênia, Tanzânia, Namíbia (África), Arábia Saudita, Índia, Birmânia, Tailândia (Ásia) também vivem em regiões semelhantes. Contudo, há uma grande diferença na forma como o problema é enfrentado no Brasil e nestes outros países. A consciência de que a seca é um fenômeno da natureza que sempre vai existir fez com que os moradores destas nações desenvolvessem formas de convivência harmoniosa com o ambiente (veja quadro ao lado). Aqui, a seca ainda é um desafio a ser vencido. Segundo estudiosos do clima, as secas de maior intensidade se repetem a cada 26 anos, sendo intercaladas por estiagens de menor abrangência em anos definidos. Ou seja, são previsíveis. "Caso seja feito um trabalho de planejamento voltado para a sustentabilidade dos agricultores que vivem nas áreas de sequeiro é plenamente possível enfrentar longas estiagens sem que se passe por tantas necessidades", explica o ex-secretário de Agricultura de Pernambuco, Everaldo Rocha Porto. Técnico do Centro de Pesquisa do Trópico Semi-árido (Cpatsa), da Embrapa, ele é um dos grandes defensores no Nordeste de que não é difícil viver numa região semi-árida. O Cpatsa, inclusive, há 25 anos desenvolve técnicas de sobrevivência no Semi-árido nordestino, aproveitando outras experiências de sucesso no mundo. A receita é simples e não tem ligação com os grandes projetos irrigados. Até porque o potencial de irrigação no Nordeste é suficiente apenas para beneficiar 5% do território da região. A saída, explica Rocha Porto, está na captação da água da chuva para consumo humano através de cisternas, criação de animais de pequeno porte (caprinos e ovinos), aproveitamento das plantas nativas da região, realização de pequenos cultivos com plantas resistentes e utilização de técnicas de pequena irrigação (também com água captada da chuva). O uso de cisternas para captar água da chuva é utilizado no mundo há mais de seis mil anos. Na casa onde Jesus Cristo viveu, nas proximidades de Jerusalém, por exemplo, havia um destes reservatórios, o que pode ser constatado nos escombros ainda existentes no local. Ainda hoje, em Jerusalém, pode ser vista em cada casa uma cisterna. A cena se repete em cidades de todas as nações de clima semi-árido. Na província de Ganzu, no Norte da China, existem 400 mil cisternas e mais 100 mil são construídas pelo governo local a cada ano. INICIATIVA - Rocha Porto não é o único que defende esta estratégia de ação na região. Os integrantes do Instituto Regional de Pequena Agropecuária Apropriada (IRPAA), uma ONG que atua no Sertão da Bahia, realizam há 11 anos um trabalho pedagógico no qual são repassadas informações aos moradores da área sobre como aproveitar as potencialidades do semi-árido. A linha de ação também está sendo seguida por mais nove ONGs nordestinas, que junto com o IRPAA formam uma entidade chamada Mutirão. "Enquanto o povo tiver a cabeça em São Paulo não se vai mudar muita coisa. Quando o sertanejo passar a acreditar nas potencialidades do Semi-árido tudo vai funcionar diferente", acredita o austríaco João Gnadlinger, que integra o IRPAA. Trabalho neste sentido foi iniciado ano passado em Pernambuco pelo Governo do Estado através do programa Convivendo com a Seca. Usando cartilhas elaboradas com a ajuda de técnicos do IRPAA, milhares de sertanejos começaram a aprender em sala de aula as técnicas de convivência com a seca. O programa virou modelo para a Sudene, que reproduziu as cartilhas e recomendou a execução do projeto aos demais estados nordestinos nas frentes de emergência. |
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