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ANTIGOS COMPANHEIROS IV Saudades do "repórter" Reginaldo por MARIA CRISTINA FERNANDES* Só me lembro do primeiro nome - Reginaldo. Dirigia um fusquinha branco da disputada frota do JC em 1989. O crachá lhe atribuía a função de motorista, mas era um repórter dos bons. Ou melhor, era o que se chamava de "copidesque de rua". O policial à paisana, o escritor americano que entrou pela porta dos fundos do hotel, nada lhe escapava. Quem lhe dava ouvidos escapava de ouvir do editor - "Coloque-se na condição do leitor, será que isso importa mesmo?". Ainda vivíamos a época das Olivetti e das laudas de papel-jornal. Mas sempre aparecia algum colega para lembrar do quanto a tecnologia já havia tornado mais fácil a vida do jornalista. Reclamava-se dos telefones da redação - orelhões instalados em cabines - mas eles acabavam sendo o argumento mais convincente de que jornalismo se faz na rua. Os focas da redação - e éramos muitos naquela época - devemos um bocado aos orelhões. Tenho notícias daquelas feras com quem convivi na rua do Imperador. Todos meus credores, pago quando puder. Mas minha maior dívida pessoal no JC é mesmo com o Reginaldo. Quando encerrar sua carreira no jornalismo, os leitores vão sentir sua falta. * Repórter da Gazeta Mercantil |
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