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ANTIGOS COMPANHEIROS VIII
A primeira reportagem, na enchente da Mustardinha

por FRED VASCONCELOS*

O primeiro texto a gente nunca esquece. Faz mais de 30 anos. Saiu no "Diário da Noite", então comandado por Ronildo Maia Leite. Era a minha primeira reportagem, ainda como estagiário: os estragos causados pelas chuvas na Mustardinha. A emoção superava o embaraço de ver a abertura do texto ser modificada pelo professor (e depois amigo) Fernando Menezes.

O primeiro prêmio também é inesquecível. Foi no "Jornal do Commércio", no final dos anos 60, com reportagem sobre um médico charlatão que anunciava curar o câncer vendendo um xarope pelo correio. Valeu um Esso e uma primeira ameaça de morte... Inscrevi por insistência de Aldo Paes Barreto e Vladimir Calheiros.

Entrei no jornalismo profissional pelas mãos do Ivanildo Sampaio, que me apresentou a Alexandrino Rocha, na sucursal da Manchete. Eu imaginava que Ivanildo apostasse mais no meu outro teclado, o piano, companheiro de madrugadas perdidas no Recife.

Aquele trabalho premiado, publicado no JC, foi uma espécie de passaporte para entrar na grande imprensa paulista. Desta vez, pelas mãos do Fernando Mendonça, que me apresentou a dois grandes jornalistas pernambucanos "exilados" em São Paulo: Eurico Andrade e Aloísio Falcão (e o alagoano Jarbas de Holanda). Anos depois, flagro o mesmo Ivanildo Sampaio, num programa de TV, citando jornalistas pernambucanos que "deram certo" ao migrar para o Sul. Sua generosidade explica o exagero de me incluir ao lado do saudoso Múcio Borges da Fonseca e o imortal Barbosa Lima Sobrinho. Hoje, eu acompanho com entusiasmo, pela Internet, a nova fase do JC. Por ironia, é numa São Paulo alagada e com muita lama (nos vários sentidos) que relembro com saudade os tempos de repórter inexperiente descrevendo a cheia na periferia da cidade do Recife.

* Repórter especial da Folha de São Paulo

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