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CIÊNCIA & MEIO AMBIENTE III
Denúncias de maus-tratos no Derby eram constantes

Xica, o animal de estimação da cidade do Recife por 22 anos, também foi vítima das brincadeiras maldosas de crianças e adultos que iam à Praça do Derby observá-la. Para que o animal colocasse a cabeça fora d'água era comum os moleques jogarem pedras nele. Mesmo com vigilância 24 horas, bastava um descuido e Xica ganhava pipoca, algodão-doce, sacos de papel ou de plástico e amendoim. "Jogavam até vidro nela", diz Maria Antônia da Conceição, 56 anos, há 25 vendendo bombom no Derby.

Uma das muitas passagens relacionadas aos tempos vividos por Xica no Derby diz respeito a uma facada que ela teria levado de um mendigo. De acordo com o vigilante de animais da Emlurb José Sebastião da Silva, 47 anos, que passou 21 tomando conta de Xica, o fato aconteceu logo que ela foi trazida para o Derby. A veterinária Rosana Espíndola, que cuidou de Xica no local, acha que a história é folclore.

Contam, também, que Xica teria conseguido escapar do tanque durante uma enchente ocorrida no Recife na década de 70. "Foi na cheia de 1975. A água cobriu o tanque, mas ela não chegou a sair de lá. Só colocava o nariz para fora, como se estivesse debruçada na parede do tanque", lembra José Sebastião. A veterinária confirma o episódio.

Rosana Espíndola considera uma injustiça dizer que o animal era submetido a maus-tratos no tempo em que vivia na praça. "O tanque era realmente pequeno na profundidade. Mas nunca faltou assistência nem comida para ela".

Os ambientalistas reclamavam da sujeira no tanque. Mas a veterinária diz que a lavagem era feita todo mês. "A água era puxada por uma bomba. Com o tanque vazio, Xica era escovada para retirar excesso de lodo de sua pele. O fundo do recinto era escovado com vassourões", conta. Depois, o local era enchido com água de carro-pipa da Compesa. "A água era renovada permanentemente".

O tanque tinha comunicação com o canal fétido Derby-Tacaruna. Alexandre Araújo, da Aspan, diz que quando a maré estava alta, entrava água suja no recinto. Rosana Espíndola conta que este ralo, que deveria servir para esgotar a água do local para a lavagem, foi fechado. "Retirávamos a água com bomba de sucção".

Ela diz que Xica não aceitava outro tipo de alimento, a não ser o capim-agulha, trazido de Pontas de Pedra três vezes por semana. "A prefeitura gastava muito para manter o animal em boas condições. Para uma empresa de manutenção, que não é um órgão ambiental, acho que foi feito o melhor".

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