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CIÊNCIA & MEIO AMBIENTE VI Sem Xica, Derby perdeu a graça Na década de 70, quando ainda não havia shopping center, um dos melhores passeios para as famílias do Grande Recife era ir à Praça do Derby. O auxiliar administrativo Sirley Vieira da Silva, 27 anos, recorda que este era um dos programas de final de semana preferidos da sua família. "Brincar na praça era uma diversão", conta Sirley, que, junto com os dois irmãos, debruçava-se no tanque para tentar tocar em Xica quando ela se aproximava. Eles moravam no Cordeiro e iam de ônibus para o local, com o pai e a mãe. "Nós jogávamos comida, mas depois proibiram", lembra. Depois de adulto, ele não perdeu o contato com o animal. No início de 1990, Sirley foi trabalhar próximo ao Derby, e ia sempre à praça só para ver Xica. Mas não sentiu saudades quando o animal foi embora. "Há muito tempo ela precisava de tratamento melhor". O taxista Valter Leandro da Silva, 38 anos, ia tanto ao Derby que já era conhecido dos vigilantes. Estudando no Colégio Barbosa Lima, a dois quarteirões, e a diversão era ir ver o peixe-boi quando a aula terminava mais cedo. "A gente pedia capim aos vigias para dar a Xico", diz Valter, que ficou surpreso quando soube que tratava-se de uma fêmea. Para a estudante Roberta Calumby, 16 anos, a praça não tem mais atração desde que o peixe-boi foi retirado. Moradora da Rua da Baixa Verde, Roberta cresceu freqüentando o local junto com a irmã, hoje com 14 anos. "Levava minhas filhas para ver Xica quase todo sábado e domingo. Era um local agradável", afirma a pedagoga Margarete Calumby, que mora há 16 anos no local. A saída de Xica da Praça do Derby teve reflexos no comércio das barracas e fiteiros. A praça mais visitada do Recife nas décadas de 70 e 80 teve seu movimento reduzido gradualmente. Hoje, o tanque onde o peixe-boi vivia está seco. Há poucos brinquedos na praça, freqüentada por meninos de rua, que assustam visitantes. Os comerciantes reclamam do abandono do local. "O que as crianças vêm ver aqui? Até a grama não existe mais. É muito melhor levar para outras praças que foram revitalizadas, como a do Treze de Maio", queixa-se Maria José Lemos, 50 anos. Vendendo lanches nas proximidades do tanque de Xica há nove anos, ela conta que gostava de trazer os sobrinhos para ver o animal no Derby, antes mesmo de se instalar no local. "Eles iam ver o peixe-boi e eu ia namorar", fala. "No tempo de Xica tinha muito mais gente. Parava muito ônibus com turistas", diz João Augusto de Oliveira, 63 anos, dono de uma barraca de lanches desde 1975. |
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