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CIÊNCIA & MEIO AMBIENTE X A consolidação do movimento ambientalista O movimento ambientalista em Pernambuco acompanhou a onda ecológica que invadiu o Brasil e atingiu seu ápice com a realização da Conferência das Nações Unidas sobre Meio Ambiente e Desenvolvimento, a Rio-92. O assunto explodiu na década de 80, com manifestações de rua e campanhas incisivas. Quem não lembra da passeata contra o derramamento de vinhoto no Rio Capibaribe que juntou 10 mil pessoas em Boa Viagem, em 1983? Depois, foi a época da "overdose" ecológica, com a Rio-92. Mas, a partir de meados dos anos 90, ocorreu um arrefecimento da mobilização e uma certa institucionalização do tema. Um termômetro desta curva é a Ecolista, o Cadastro Nacional das Instituições Ambientalistas, publicado pela ONG Mater Natura, de Curitiba, em parceria com o Fundo Mundial para a Natureza (WWF). De acordo com seu levantamento, de 1986 a 1990 foram fundadas 119 ONGs ambientalistas no país. Entre 1991 e 1992, no "boom" da ecologia, foram criadas nada menos que 296. Nos dois anos seguintes, ocorreu a fundação de 92 e, após 1994, o número caiu para 58. A maioria não vingou. Na opinião do biólogo Alexandre Araújo, coordenador executivo da Associação Pernambucana de Defesa da Natureza (Aspan), as entidades atuantes hoje no país são ainda as fundadas no período anterior à conferência. "As que vieram no rastro da Rio-92 acabaram-se porque foram criadas só por modismo", afirma. Araújo estima que hoje existam, no máximo, 15 grupos ambientalistas atuando no estado. Os mais antigos são a Aspan, fundada em 1979, e a Sociedade Nordestina de Ecologia (SNE), dissidência da primeira, criada em 1986. O jornalista Sérgio Xavier, membro da Executiva Nacional e da diretoria estadual do Partido Verde, observa três fases no movimento ambientalista. A primeira foi a fase do despertar, no início dos anos 80, com um trabalho mais voltado para a denúncia. A segunda, a da mobilização, com as pessoas fazendo manifestações, e influenciando na política e na mudança das leis. A terceira, segundo ele, é a da realização, na qual o desafio é mostrar como pôr em prática tudo o que se fala. O biólogo Ricardo Braga, conselheiro da SNE e professor da UFPE, diz que na década de 80 o movimento ambientalista viveu um de seus momentos mais ricos. "Com a mobilização contra o derramamento de vinhoto, em 83, por exemplo, conseguimos a punição dos envolvidos e um decreto que proíbe a acumulação de vinhoto nas destilarias", recorda Braga, que já foi presidente da Aspan, da SNE e da CPRH. A passeata de 1983 foi realizada após o derramanto de 1,4 milhões de litros de vinhoto nos Rios Capibaribe e Pirapama. Os rios e o mar, de Barra de Jangada a Olinda, ficaram coalhados de milhares de peixes mortos. Depois vieram as mobilizações contra as intervenções ambientais do Porto de Suape, contra a caça à baleia na Paraíba e em defesa da retirada do peixe-boi Xica da Praça do Derby, entre outras. Nos últimos dez anos, Ricardo Braga observa duas vertentes no movimento ambientalista em Pernambuco: uma da profissionalização, com o engajamento das entidades em projetos que lhes garantam a obtenção de seus objetivos e manutenção financeira, e outra da informalidade, com o trabalho voluntário. PERFIL - Um levantamento feito pela Aspan, em janeiro de 1998, indicou que a maioria das entidades ambientalistas de Pernambuco contam com menos de dez membros filiados. A maior parte das entidades dedicam-se à educação ambiental e a campanhas de mobilização, tendo como público-alvo associações de bairros e estudantes. O financiamento destas entidades vem dos seus sócios e de agências internacionais de cooperação, sendo que 50% delas têm uma receita anual de até R$ 5 mil, o que dá pouco mais que R$ 400,00 por mês. Apenas 10% recebe mais de R$ 100 mil, de acordo com o relatório da Aspan. |
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