![]() |
![]() |
![]() |
ESPORTES III Um fenômeno que atendia por Tará Nos anos 30 e 40, o torcedor pernambucano acostumou-se a aplaudir um baixinho que ainda hoje é considerado um dos maiores craques que já passaram pelos gramados do Estado. Ele defendeu o Santa Cruz e o Náutico, mas foi ao Tricolor que se ligou, até hoje, sentimental e definitivamente. Trata-se do coronel reformado da Polícia Militar de Pernambuco, Humberto de Azevedo Viana, o ainda festejado Tará, por coincidência, nascido no mesmo ano de fundação do seu clube de coração, em 1914. Embora fosse baixinho, o centroavante Tará tinha uma grande impulsão, fazendo muitos gols de cabeça. Várias vezes integrante da equipe pernambucana no antigo Campeonato Brasileiro de Seleções, comandou o ataque alvi-azulino no dia 22 de outubro de 1944, quando Pernambuco goleou a Bahia por 9 x 1, na Ilha do Retiro. Naquela tarde, os orixás certamente estavam de folga e esqueceram seus craques, pois nem bem o jogo começou, os pernambucanos fizeram seu primeiro gol, através justamente de Tará, numa jogada assim descrita pelo jornalista Givanildo Alves no seu "História do Futebol em Pernambuco": "A abertura da contagem começou logo no primeiro minuto de jogo. Siduca cobrou um escanteio. A bola veio caindo bem dentro da área baiana. Tará subiu e cabeceou com sucesso." O centroavante balançaria mais duas vezes a rede baiana, marcando três gols, mesmo número dos que foram assinalados por seu irmão Orlando, o Pingo de Ouro, que defendia o Náutico e se consagraria mais tarde jogando pelo Fluminense, Santos e outros clubes, chegando à Seleção Brasileira. Os demais goleadores daquela partida histórica foram Siduca, Pitota e Edgar (Pernambuco) e Isaltino (Bahia). Naquele jogo inesquecível, os pernambucanos alinharam: Manoelzinho; Chicão e Guaberinha; Pedrinho, Capuco e Gilberto; Pitota, Orlando, Tará, Edgar e Siduca. O nome de Tará também está inscrito na primeira conquista do título de campeão pernambucano pelo Santa Cruz, em 1931. Os heróis daquele feito tão ansiosamente esperado pelos tricolores, foram: Dadá, Sherlock, Fernando, Dóia, Julinho, Zezé, Aloísio, Neves, Tará, Lauro e Estevão. O Santa Cruz repetiria a façanha nos dois anos seguintes, obtendo assim seu primeiro tricampeonato, sempre com Tará comandando o ataque. Os corais levantaram ainda os campeonatos de 1935 e 1940, e a camisa 9 não tinha outro dono a não ser Tará. RECORDISTA - Em 1943, um aborrecimento com um dirigente tricolor levou Tará, que era amador, a mudar de ares. Foi defender o Náutico, onde brilhava seu irmão Orlando. Interessante é que em dado momento houve uma autêntica invasão da família Viana, nos Aflitos, com cinco irmãos militando no clube ao mesmo tempo: Isaac, Orlando, Tará, Gerson e Roldan. Foi defendendo o Náutico que Tará assinalou um recorde que só seria igualado em 1976 por Dario (Sport), contra o Santo Amaro. A 1º de julho de 1943, quando o Náutico derrotou o extinto Flamengo pela incrível contagem de 21 a 3, Tará marcou dez gols. Depois de levar Orlando, o Fluminense insistiu para contratar Tará, que já oficial da Polícia Militar de Pernambuco, não quis arriscar, preferindo continuar por aqui. Encerrou a carreira no Santa Cruz, com o qual fez as pazes e hoje acompanha a distância os sucessos e as agruras do time que continua sendo sua paixão. |
|