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DESENHO A insustentável leveza do traço por MIGUEL FALCÃO "Nem só de pão vive o homem, precisa de manteiga também". Essa paráfrase do adágio evangélico proferida pelo fictício apresentador da Mad Magazine, Alfred E. Neuman, ilustra à perfeição a função dos chargistas e ilustradores em um jornal. Nem só de fatos e fotos vive um leitor, precisa de um certo molho espirituoso que o ajude a digerir as tragédias e banalidades do cotidiano. Os ilustradores, sejam eles designers, cartunistas ou artistas plásticos, adicionam uma bem medida dose de fantasia à informação, e paradoxalmente a tornam mais exata ao atrair a atenção e incitar a curiosidade. E os chargistas transcendem o fato meramente informativo e fotografam com malícia e veneno a notícia por trás do pano, para flagrar em delito a alma dos noticiados. O Jornal do Commercio tem longa tradição em estampar em suas páginas a fina flor da tinta e do traço pernambucanos. Nesses 80 anos de circulação foi arregimentando um pequeno exército de refinados rabiscadores, alguns deles alcançando posteriormente renome internacional. Curiosamente a coluna dos chargistas só foi inaugurada em novembro de 1977, com o chargista "papa-figo" Bione. Mas aí não parou mais. Logo depois vieram J. Tavares, Zael, Maquino, Libório, Miguel, Clériston, Humberto e Ronaldo. Entre os ilustres ilustradores, figuram Reynaldo Fonseca, Zuleno, Luiz Jasmim, Déo, Ladjane Bandeira e Zenival. E puxando o cordão da nova geração temos Murilo, Márcio Santos, Rinaldo, Félix Farfan, Braz Marinho, Bené, José Paulo, Samuca, Cavani Rosas e Lula. Os três atuais chargistas, Ronaldo, Humberto e Miguel chutam com as duas e também jogam no time dos ilustradores, assim como o fizeram também Libório e Clériston. Os designers, que jogam mais com o cérebro que com o coração e arrumam o meio-de-campo das infografias, são Fabiana Calábria, Hernanto Barbosa, André Pinto e Fabiana Martins, tendo também colaborado, e muito, Luciana Neves, Luciana Oliveira, Ana Carolina Soriano, Karla Link e Cláudia Almeida. Apesar de muita coisa ter mudado desde os bicos-de-pena de Zuleno às infografias em 3-D virtual de André Pinto, exige-se de ambos uma certa leveza de espírito para dedicar-se a uma arte tão efêmera quanto a ilustração para jornal. Que, segundo o jargão jornalístico, na melhor das hipóteses no outro dia estará embrulhando peixe... |
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