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CULTURA II Cenas de cinema na terra do cangaço Na década de 20, o Recife foi o mais importante centro produtor de cinema do Brasil. No chamado Ciclo do Recife (1923-1931), foram produzidos aqui apenas 13 longa-metragens e outros cinco ficaram inacabados. Mas a cidade ficaria conhecida por ser a precursora do chamado filme de enredo em todo o Norte e no Nordeste. A Aurora Filme, empresa fundada pelo ourives Edson Chagas e pelo gravador Gentil Roiz, em 1923, produziria um ano depois Retribuição (1924): história escrita por Gentil Roiz, com mínimos recursos e uma câmara que tinha sido da Pernambuco Filme, de Falângola e Cambiere, comprada numa casa de penhores por 600 mil réis, como conta o crítico e cineasta Fernando Spencer. Após vinte meses de trabalho, o filme ficou pronto. A mocinha era Almeri Steves e o galã, Barreto Júnior, conhecido como o Rei da Chanchada no teatro de variedades do Recife. Depois vieram Um ato de humanidade, filme de propaganda da Garrafada do Sertão, com enredo para o Laboratório Maciel (1925), com o jovem ator Jota Soares interpretando um sifilítico curado pela tal garrafada; Jurando Vingar (1925), história passada nos canaviais e engenhos de Pernambuco com direção de Ari Severo; Aitaré da Praia (1925), drama de amor e traição entre jangadeiros; Herói do Século XX (1926), uma paródia em tom de comédia do cinema norte-americano; e A filha do advogado (1926), última produção da Aurora Filmes, já sob o comando de João Pedrosa da Fonseca, e que revelou como diretor Jota Soares, com apenas 20 anos e considerado na época o mais novo diretor de cinema do mundo, como afirma Fernando Spencer. Todos ainda na fase do cinema mudo. O Ciclo do Recife contaria também com outras produtoras: Planeta Filmes, Vera Cruz Filme, a Liberdade Filme, a Olinda Filme e a Spia-Filmes. Em Goiana, Mata Norte, surge a Goiana Filmes. Entre 1930 e 1931, a Liberdade realiza o último filme do Ciclo: No cenário da vida. Todos os filmes produzidos entre 1923 e 31, conta Fernando Spencer, tiveram suas estréias no Cine Royal, na Rua Nova, Cine Moderno, Cinema do Parque e cidades do interior. Alguns foram exibidos no sul do país. Segundo Fernando Spencer, o Ciclo do Recife foi um modesto movimento de cinema, sem ajuda oficial, que fechou as cortinas para viver na história. O cinema sonoro iria ser produzido em Pernambuco somente em 1942. O primeiro sonoro foi O coelho sai, da Meridional Filmes, de Newton Paiva e fotografado, montado e sonorizado por Firmo Neto. O negativo e a cópia foram queimados, mas o filme, quando em cartaz, foi sucesso no Art-Palácio. Mas o cinema pernambucano não morreu. Mesmo sem apoio, recursos e financiamentos, o cinema continuou, timidamente, mas prosseguiu. As décadas de 60 e 70 e 80 foram pródigas ainda em curtas e documentários em 16mm e Super 8 de Fernando Spencer. Passaram-se 18 anos sem que fosse produzido um longa-metragem, até que Pernambuco voltou a ouvir "luz, câmera, ação" em 1995, quando os cineastas Lírio Ferreira e Paulo Caldas filmaram O Baile Perfumado - colocando novamente o cangaço nas telas no ressurgimento do cinema local. |
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