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MITOS IV A fama esquecível do mito que logo se acaba O material em que se molda um mito humano pode ser de pouca durabilidade. Os de qualidade duvidosa se quebram, se desfazem facilmente, em pouco tempo. É o caso dos astros de Hollywood. Leonardo DiCaprio seria um mito duradouro? Ou melhor, seria ele um mito? Nesse momento até pode ser. Mas daqui a dois anos? Agora uma legião de fãs grita o nome dele pelos quatro cantos do mundo. Assemelha-se àquela que gritou por John Travolta na década de 70, ou por Marlon Brando nos anos 50. Gritará no futuro? Parece aquela que se derreteu por Tom Cruise há pouco tempo. E que depois o trocou por Brad Pitt. E que depois voltou-se para DiCaprio. Várias faces bonitas. Moldáveis. Temporárias. Esquecíveis. Ídolos de verão. Ou de "pés-de-barro", como analisa o cientista político, Michel Zaidan. "Eles são criados por marqueteiros. Como não possuem sentido histórico, acabam-se velozmente". Basta soprar para o barro se esvair. "Mitos criados em áreas como o esporte e a cultura tendem a se desintegrar. Poucos são os que possuem consistência", diz Zaidan. Di Caprio, Cruise e Pitt nada mais seriam do que a projeção ideal do homem perfeito feita por várias garotas. Nada mais. O domínio deles abrange só telas de cinema e revistas para adolescentes. Nada mais. Para ser mito é preciso existir identificação psíquica com o público. "Os mitos representam grandes dramas humanos", analisa o psicanalista Antônio Carlos Escobar. James Dean e Marilyn Monroe estariam mais perto desta identificação. Eles incorporaram bem dois arquéticos fortes: o rebelde e a mulher sedutora e infeliz. Por isso, suas imagens até hoje são consagradas. Mas nem por isso eternas. "As estrelas do mundo cultural tendem a ser descartáveis. Logo são substituídas por outras de igual valor", comenta Zaidan. Mas o título de mito para os astros e estrelas é mesmo fruto apenas dos meios de comunicação? O psicanalista Antônio Carlos Escobar avisa: "O processo de mitificação independe das pressões da mídia". Justifica-se: "Se o mito representa o desejo, com certeza ele será consolidado pela vontade popular". Que a mídia ajuda, ajuda. Pessoas são coroadas por conta dela. Pelé virou o rei do futebol. Ayrton Senna, o rei dos pilotos. Xuxa, a rainha dos baixinhos. Roberto Carlos, o rei da música nacional. Pode-se até ter talento para tanto. Pode-se até ser bonito para tanto. Mas talento e beleza não justificam reinado. |
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