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MITOS VII Gonzaga: música "que dá vontade de chorar" Quando olhei a terra ardendo/ Qual fogueira de São João/ Eu perguntei a Deus do céu/ Por que tamanha judiação? Asa Branca, de Luiz Gonzaga Quem melhor traduziu, em quatro frases simples, o sentimento nordestino ao ver seu pasto morrer, a terra se esturricar e suas esperanças evaporarem quando mais uma seca assola o Sertão? Luiz Gonzaga continua sendo o mensageiro da alma sertaneja para o resto do Brasil. "Música singela, simples. Dá vontade de chorar", resume Santana Lima. Dá mesmo. Para gente como ela, dá. Gente que nasceu no Sertão, viveu no Sertão, que sabe as dificuldades e as alegrias de viver nesta terra. Brejo da Madre Deus é a terra de dona Santana. Mas podia ser Salgueiro, Serra Talhada, Afogados da Ingazeira, não importa. O jeito de passar os dias, de observar a vida é o mesmo: simples. Foi o que Luiz Gonzaga fez. Interpretou suas músicas de maneira simples, apresentando aos quatro cantos do País, o modo de vida da região. Identificação é a palavra chave para sintetizar o mito. O sertanejo em Luiz Gonzaga uma espécie de embaixador pelo mundo. "É o nosso sentimento que está ali", opina dona Santana. Mesmo os 38 anos em que ela reside no Recife, não apagaram o tempo de garota, quando ouvia os discos comprados pelo pai. "Ele colocava o disco e todo mundo aprendia as músicas, para cantar nas viagens e nas festas". Cantar Açum Preto, Carolina e todas mais. Músicas surgidas do cotidiano sertanejo, como que por encanto. "Aquilo que a gente menos esperava, de repente, encontrava nas músicas de Luiz Gonzaga. Coisas que a gente vivia todo dia e nunca achava que pudesse ter tamanha importância e tamanha beleza". |
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