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MITOS VIII Chico: o breve sopro da renovação musical A cidade não pára/ A cidade só cresce/ O de cima sobe e o debaixo desce A Cidade, de Chico Science A cidade quase desmentiu Chico Science em 3 de fevereiro de 1997. Quase parou. Motivo: ele estava sendo velado no Centro de Convenções. O novo ídolo, recém-nascido na cultura pernambucana, deixava prematuramente uma legião de admiradores. Pelo menos quem se antenava com as idéias de Chico parou, deixou uma lágrima rolar, deu uma respirada e procurou entender o porquê daquele fato. Não havia como explicar. O jeito era se conformar. Tal baque atingiu o estudante de Letras, Hugo Albuquerque. Foi atingi-lo na Suíça, onde estava na época da morte. "Senti como se algo fosse cortado, antes de ter dado o seu melhor", explica Hugo. "Chico não teve oportunidade de mostrar todo o seu potencial". Mesmo assim, o que ele conseguiu em vida foi de bom tamanho. Cantou Pernambuco. Conquistou Pernambuco. E ultrapassou as fronteiras. "Quando fui a Paris, na loja de CDs Virgem, que tem cinco andares, não havia um só disco de Chico. Perguntei ao vendedor e, para minha surpresa ele disse: `Quando a gente coloca, vende logo'. Fiquei feliz. Pelo menos ele teve reconhecimento ainda vivo". Mesmo entre tantos os grupos e cantores do Movimento Mangue, foi Chico Science que seduziu o povo. "Transmitia simpatia. Do tipo que se falasse com ele na rua, a resposta vinha sem problemas", explica Hugo. Era a síntese do rec-beat. Carismático, performático e com ótimo domínio de palco, tornou-se a estrela maior da nova cena cultural. "Se Chico tivesse vivido mais alguns anos, o movimento teria se consolidado em todo Brasil. Agora a coisa esfriou", opina Hugo. A essência ficou. Mas o viço, este se perdeu. |
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