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INDÚSTRIA II
Coperbo, uma idéia feliz e adequada ao seu tempo

A Coperbo foi, sem dúvida, uma proposta inteligente no setor industrial de Pernambuco porque trabalhou com o cenário internacional que lhe favorecia. Havia excedente da produção de melaço de cana-de-açúcar e de álcool etílico e porque se constatava uma estagnação da produção de borracha natural que não passava de 25 mil toneladas/ano quando consumíamos 60 mil e havia previsão de crescimento para 70 em dez anos.

O consultor Romeu Botto Dantas, que foi seu presidente, acha inteligente o gesto de Cid Sampaio de pensar uma fábrica que produzisse um tipo de borracha sintética que ajudasse na redução deste déficit. E criou então uma empresa de economia mista estadual que se propunha a produzir 27,5 mil toneladas/ano de elastrômero butadieno - um novíssimo produto.

E foi muito criativa a idéia de sua capitalização com um adicional de 0,5% no então Imposto de Vendas e Consignações (o atual ICMS) resgatáveis pelos famosos bônus BS. E foi buscar o restante do projeto que custava US$ 33 milhões no Banco Nacional de Desenvolvimento (então BNDE), na Sudene e em investidores estrangeiros tipo CNEP-CL, Banco Iinteramericnao de Desenvolvimento, AID, Union Carbide, Firestone e Rohm & Hess. Isto é, calçou-se no esquema mercado/produto/cliente. Fechou o círculo.

Só que entre a idéia, o projeto, a montagem e a inauguração - esclarece o consultor - o cenário mudou e pouco antes da inauguração em 26 de setembro de 65, o Governo da revolução liberou as exportações de melaço e autorizou a importação de borracha natural. Resultado: faltou álcool que dependia da matéria-prima, do melaço, que agora podia ser exportado. Ainda assim a companhia conseguiu mercado, gerou tecnologia própria até que em 71 o controle acionário passou para a Petroquisa.

A Petroquisa então montou uma equação diferente, diz o professor Botto. Equalizou o preço do polibutadieno com o SBR feito pela Petroflex (antiga Fabor) que ela também assumira. Como o Governo definiu os parâmetros a Coperbo começou em 72 a ter lucro operacional.

A entrada do Proálcool permitiu à Coperbo a volta ao esquema alcoolquímico. Reativou a antiga unidade de butadieno redirecionando sua produção para Aldeido Acético Etileno e os precursores do Acido Acético e o Acetato de Vinila, produtos que terminaram justificando a criação da Companhia Alcooquímica Nacional, hoje, controlada pela Union Carbide.

Por questão de registro histórico Botto lembra que tanto o Etileno a partir do álcool como a unidade produtora de Aldeido Acético tiveram origem no próprio laboratório da Coperbo. Até porque desde o começo a formação de operadores feita em conjunto com a Escola Técnica aproximou padrões de produção moderno de forma que na Coperbo tinha pelo menos dez engenheiros que acabaram virando também professores universitários.

Por que? Porque o projeto gerou também massa crítica sobre a atividade.

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