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INDÚSTRIA III
Estado foi beneficiado com recursos oriundos do Finor

Não se pode dizer que Pernambuco vem sendo punido em relação à participação em recursos como o Finor.

Pesquisa feita em 1988 pela Sudene avaliando dados de 910 empresas oficialmente dentro do sistema com dados de 1986 revelou que o Estado liderava o número de projetos industriais com 24,3% deles. Seguido pelo Ceará e pela Bahia.

O número trata de projetos, não de investimentos. Embora nele esteja a constatação de que das 221 empresas captadas pelo Estado junto ao sistema Finor, 54 estavam paralisadas enquanto 144 funcionavam e apenas 14 estavam se instalando. No mesmo ano a Bahia tinha 177 empresas das quais 127 estavam funcionando e apenas 35 paralisadas. O Ceará, cravava 180 empresas, das quais 34 estavam paralisadas e 38 novas estavam se instalando.

Outros economistas acreditam que Pernambuco só foi excluído, de fato, no 4º Plano Diretor da Sudene que lhe impediu de modernizar seu setor têxtil, o que acabou beneficiando o Estado do Ceará. Uma das baixas mais emblemáticas é o caso do Cotonifício da Torre, controlado pelo Banco Nacional do Norte que, sem poder receber incentivos fiscais para se modernizar, simplesmente fechou dando lugar ao centro administrativo do banco.

Mas a propalada vocação de Pernambuco para os serviços não deve mascarar o fato de que o Estado sofreu, nos últimos 20 anos, nítido processo de desindustrialização: a participação da indústria em seu PIB decresceu de 33% em 1980 para pouco mais de 20% atualmente (involuindo, em termos reais, de US$ 5,3 bilhões em 1970 para US$ 4,2 bilhões em 1996), adverte o professor Roberto Cavalcanti.

Segundo dados produzidos pelo professor J.R. Vergolino, da UFPE, a queda não se limitou a Recife, onde a participação da indústria na economia caiu, entre 1980 e 1996, de 22% para 15%. Ele ocorreu também na Região Metropolitana como um todo (queda de 70% do PIB para 47%, no mesmo período), na Zona da Mata (decréscimo de 41% para 23%) e nas demais regiões do Estado.

Ainda, segundo Cavalcanti, a virtual estagnação da economia de Pernambuco nos últimos 20 anos (crescimento médio anual do PIB de cerca de 1%, inferior aos do Brasil e do Nordeste) deve-se não apenas a essa tendência de queda do produto da indústria (de cerca de 1,5% anualmente), mas ao baixo desempenho do comércio e da agropecuária.

E diz mais: entre 1980 e 1996, o comércio cresceu apenas 0,8% ao ano, e a queda do produto da agropecuária foi, em média, de 1% anual. Portanto, conclui ele, foram os "outros serviços", que representavam 23% do PIB em 1980 e 45% em 1996, que revelaram dinamismo, expandindo-se, no período, à taxa média anual de 2,5%.

E neles se incluem os incentivos em conhecimento e tecnologia, localizados sobretudo no Recife (que detém mais de 60% do produto setorial do Estado), mas também um grande, desconhecido e mutante segmento informal, quase sempre de baixa produtividade.

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