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CRISES II Choques inviabilizam pequenas empresas A política de juros altos para apertar o crédito e conter a inflação, adotada pelo Governo Federal nos períodos de crise, já fez várias vítimas, principalmente entre as microempresas. Esse é o caso do ex-empresário Rivaldo Soares, que possuia uma fábrica de calçados em Caruaru, a Talento Indústria e Comércio, mas que tornou-se financeiramente inviável e fechou após o Plano Real. "Existem seguros contra incêndios e tempestades, mas não existe seguro contra planos econômicos e loucuras do Governo Federal", diz Soares, que hoje é gerente de uma pequena indústria de sapatos. A Talento fechou em maio de 1995. Rivaldo Soares conta que antes da implantação do Plano Real a sua fábrica produzia 8 mil pares de sapato, que em dezembro de 94 já havia caído para 2 mil pares e desabou para 800 pares no mês de janeiro. Segundo ele, os problemas começaram quando o Governo Federal ampliou o compulsório dos bancos para 70% dos depósitos. "Os bancos ficaram sem dinheiro para emprestar e passaram a direcionar os recursos disponíveis para quem tinha garantias reais a dar, ou seja, para grandes empresas", diz Soares. Operações como a custódia de cheques e o cheque especial - com juros elevados para 18% ao mês, na época -, que eram usadas pelos pequenos produtores da cidade para financiar a produção tornaram-se inviáveis. "Tive de recorrer a agiotas. Não existia nenhum benefício para ajudar empresas de pequeno porte. Na ocasião, a Mesbla quebrou", conta Soares. Ele revela que ao fechar a fábrica já não podia nem pagar o Imposto sobre circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS), que na época era de R$ 1,5 mil. O ex-empresário trabalha hoje na esperança de pagar as dívidas da fábrica para poder reabrir a Talento. "Não dei baixa da empresa, pois ainda vou voltar a produzir. Não sou o único nesta situação em Caruaru, algumas empresas até já voltaram a produzir com esforço e informalmente. Não existe ajuda do governo ou qualquer tipo de negociação com o poder público que facilite a reabertura destes negócios", reclama Rivaldo Soares. |
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