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CRISES III
Novo rumo para Pernambuco

por BIANCA NEGROMONTE
SUBEDITORA DE ECONOMIA

Nos últimos 80 anos, o Brasil foi obrigado a enfrentar transformações econômicas que interferiram até nas taxas demográficas do País. O Censo de 1920 - com dados coletados em 1919, ano de nascimento do JC - revelou a existência de uma economia essencialmente agrícola, com 80% da população vivendo em áreas rurais e apenas 20% no perímetro urbano. Hoje, a situação está completamente invertida. Com o fortalecimento da indústria, do comercial e expansão dos setores de serviços e tecnologia, 80% da população é urbana. Os demais 20% permanecem vivendo em áreas rurais. O Produto Interno Bruto (PIB), que começou a ser calculado em 1947, confirma. O setor de serviços já representa 67,5% do PIB atual; a indústria, 24,4%; e agricultura, apenas 8,2%.

Em Pernambuco do início do século, a produção era pouco diversificada e baseada na hegemonia da cana-de-açúcar. Mas como nesta época não havia economia integrada, o parque industrial local foi desenvolvido para abastecer o mercado interno. O professor de História da Universidade Federal de Pernambuco, Denis Bernardes, revela que nesta época as atividades industriais, comerciais, portuárias e bancárias também foram desenvolvidas para dar suporte ao setor sucroalcooleiro.

Até os anos 20, por exemplo, Pernambuco esteve entre os três estados mais industrializados do País. Em 1947, Pernambuco respondia por 38,2% da renda interna bruta do Nordeste, o Ceará com 17,5%, a Paraíba detinha 12,5% e a Bahia, 12%. Em 1967, Pernambuco, com 24,1% de participação, o Estado já havia perdido posição para a Bahia (28%) na região.

POTENCIAL - O futuro econômico do Estado, segundo Bernardes, passa pela redefinição da estrutura mundial e o fim da cultura da exaltação dos valores rurais. Para ele, a maior prova disso é que os instrumentos de intervenção pública de desenvolvimento perderam a eficiência. Hoje, com a globalização, a atração de investimentos e criação de pólos independe de incentivos e ações governamentais. Um dos exemplos disso, é o surgimento dos pólos médicos e de informática, que agora despertam a atenção do governo.

A fruticultura irrigada, apesar de ser uma atividade rural, é outra atividade consolidada, mas que tem enorme potencial de exploração. A tendência é que as culturas emergentes superem produtos agrícolas tradicionais, na avaliação do economista Herôdoto de Sousa Moreira. Segundo dados das Contas Regionais da Sudene, o crescimento das frutas irrigadas de 1987 para 1995 comprovam a previsão: A produção da melancia cresceu 613,6% no período; a uva, 332,3%; manga, 36,6%; banana, 34,5%; e o melão 13,2%. "Esse nicho é uma grande oportunidade para Pernambuco explorar, pois a colheita é basicamente voltada para o mercado externo, o que vai favorecer a balança comercial do Estado", acrescenta Moreira.

O professor Denis Bernardes defende ainda o desenvolvimento do turismo, mas de forma integrada. Mas para ele, o que ainda falta é despertar para o potencial histórico do Estado. "Falta começar a explorar a memória de Pernambuco e alimentar a imagem local com grandes eventos culturais típicos. Recifolia é bom, mas em toda parte do Brasil tem um igual, mas o caboclo de lança é patrimônio nosso", afirma.

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