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CRISES IV Estado perde todos os bancos locais O setor financeiro está entre os segmentos que mais sofreram mudanças com a implantação do Plano Real. Desacostumados a conviver com um cenário de inflação baixa, várias instituições quebraram, devido ao fim da ciranda financeira. O real trouxe incorporações e aquisições para os bancos nacionais onde o Banco Central realizou intervenções, e se tornaram um bom negócio para instituições financeiras estrangeiras, que passaram a investir maciçamente na compra de agentes financeiros brasileiros. Foi nesse período que Pernambuco perdeu seus últimos bancos privados de varejo, o Banorte e o Mercantil. No ano passado, foi a vez do Banco do Estado de Pernambuco (Bandepe) mudar de mãos. A instituição foi privatizada e adquirida pelo ABN Amro Bank, de origem holandesa e que já havia adquirido parte do Banco Real - de abrangência nacional. Segundo levantamento preliminar do BC, Pernambuco teve pelo menos 14 bancos (veja arte) de 1919 até os dias atuais. Mas destes, apenas o Banco BGN S/A - uma instituição de investimentos do Grupo Queiroz Galvão que opera apenas no atacado - continua em atividade. Aberto em maio de 1985 com matriz em Recife, o BGN é uma instituição comercial que atua emprestando dinheiro para pessoas jurídicas e possui 34 funcionários. De acordo com o gerente administrativo do Banco BGN, Esdras souza, o agente financeiro tem atuação regional e possui mais duas agências, uma em Fortaleza, no Ceará, e outra em Salvador, na Bahia. FORA DO ESTADO - Na avaliação do ex-presidente do Banorte, Manoel Vitor Moreira, Pernambuco saiu perdendo com a transformação ocorrida no setor financeiro. "Quando se transfere para fora de um estado o controle de uma empresa, os melhores negócios vão para o local onde funciona a sede. Isso ocorre nos bancos, indústrias, comércio, ou seja, em todos os segmentos", avalia Moreira. Ao falar dos bancos fortes que surgiram em Pernambuco, ele recorda do Banco do Povo - incorporado ao Banco da Bahia em 1968 -, além do próprio Banorte. "Um banco local conhece as pessoas e por isso questões como o caráter da pessoa são levadas em consideração. A análise do cadastro não é feita friamente, como no caso dos bancos de fora. E o Estado se ressente da falta destes investimentos e desta relação", acrescenta Moreira. |
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