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África, o centro das atenções na conferência

Antes de o assunto desertificação virar preocupação de ambientalistas e estudiosos no Brasil, o fenômeno já havia devastado quase 400 mil quilômetros quadrados de terras nos Estados Unidos e provocado a morte de milhares de pessoas na África. Foi justamente por causa de uma grande seca ocorrida na década de 70, em Sahel, região próxima ao Deserto do Saara, que o mundo conheceu, de fato, o que era a desertificação e os males decorrentes dela. Quinhentas mil pessoas morreram, vítimas de fome e de sede. Quase 30 anos depois, a África continua sendo a região com maior extensão de terra desertificada no mundo.

É na condição de continente mais afetado pelo fenômeno que a África terá um espaço privilegiado na COP-3. Nas discussões da plenária, os africanos serão os únicos a expor como anda o processo de implantação do Plano Nacional de Combate à Desertificação em seus países. Os imensos bolsões de pobreza gerados pela desertificação também fizeram da África o único continente beneficiado com os recursos captados pelo mecanismo global - fundo de financiamento internacional destinado ao desenvolvimento de ações de combate ao problema em todos os países atingidos pela desertificação.

Dados das Nações Unidas indicam que 60 mil quilômetros quadrados de solos férteis são perdidos todos os anos no mundo por causa da ocupação desordenada de regiões extremamente frágeis do ponto de vista ambiental. As perdas econômicas provocadas pelo fenômeno são da ordem de US$ 10 bilhões.

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Jornal do Commercio
Recife - 14.11.99
Domingo