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Mulher agricultora continua invisível ao poder público A dona de casa Maria Helena dos Santos, 38 anos, passou a vida cuidando da roça, mas seu nome nunca apareceu em nenhuma lista de beneficiados de frentes de emergência ou de crédito agrícola. Ex-moradora da zona rural de Irauçuba (CE), onde criou praticamente sozinha dez filhos, Maria Helena bem que procurou ajuda. "Eu fui atrás de um financiamento no banco para plantar, mas disseram que para mulher isso era mais difícil. Tinha que ter a posse da terra", recorda. O `não' dado a Maria Helena é emblemático. Mostra o quanto a mulher agricultora continua invisível aos olhos das políticas públicas destinadas ao Semi-Árido. Uma questão que entra no centro dos debates sobre desertificação e será um dos principais temas tratados durante os 12 dias de conferência da ONU no Recife. Mais do que propriamente discutir a participação da mulher nas áreas atingidas pelo fenômeno, a idéia é partir para ações práticas. "Todo mundo sabe que o êxodo na zona rural afasta os homens de casa, fazendo com que a mulher assuma a chefia da família. A luta agora é por espaço, condições de trabalho e acesso à informação", afirma Valda Torres, coordenadora técnica da Cooperativa Multiprofissional de Empreendimentos Ambientais e Socioeconômicos (Completa). Há três anos, a instituição trabalha com o problema da desertificação na região de Cabrobó. Valda reclama da falta de políticas de crédito que alcancem o trabalho feminino. "É preciso reconhecer o papel da mulher no processo produtivo. Sua importância para o desenvolvimento da agricultura sustentável". A antropóloga Adélia Branco, coordenadora da área temática Gênero, Família e Idade da Fundação Joaquim Nabuco (Fundaj) diz que um indicador da situação da mulher no campo é o fato de os programas de geração de renda estarem sempre voltados para o homem. "O que se busca é a eqüidade das relações de gênero dentro da agricultura familiar. Que se ofereça à mulher as mesmas condições que são disponibilizadas para o homem", observa. A antropóloga chama atenção para outro ponto: a liderança feminina nas regiões desertificadas. "Em muitas áreas, as mulheres têm se mostrado a voz mais firme na luta contra o problema", destaca. |
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