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NORDESTE
Estiagem secará milhares de açudes

por FRUTUOSO CHAVES
ESPECIAL PARA O JC

JOÃO PESSOA - Depois de 2005, só restarão ao Nordeste brasileiro os 18 maiores açudes. Cerca de 2,5 mil deles existentes na Região com profundidade média de 30 metros vão desaparecer em razão de um novo período de seca, de 2002 a 2007. Em Pernambuco, não restará nenhum. No Ceará sobrarão oito e, na Paraíba, um só: o complexo formado pelos mananciais de Coremas e Mãe d'Água, no Alto Sertão.

Relatórios neste sentido estão batendo às portas do Gabinete Militar da Presidência da República, Assembléias Legislativas, Universidades, Sudene e organismos federais diversos que têm exigido a consultoria do autor, o tenente-coronel João Ferreira Filho, engenheiro civil e militar.

Gestor ambiental requisitado pelo 1º Grupamento de Engenharia e Construção (GptE), unidade do Exército sediada em João Pessoa, o coronel Ferreira tem sido presença respeitada e constante em simpósios promovidos dentro e fora do Nordeste sobre a transposição de águas do Rio São Francisco, do qual é defensor ardoroso."A situação é tão crítica que poucas autoridades federais, estaduais ou municipais conseguem avaliá-la com exatidão", observa ele.

A seu ver, o ciclo da açudagem estará encerrado brevemente na região, em decorrência do fenômeno universal de diminuição das chuvas. "Se fará um grande açude para matar outro", sustenta. Ele conta que, em 1973, tomou conhecimento de estudos da FAO (o Fundo das Nações Unidas para Alimentação) alertando que, dentro de 30 anos, a crise do petróleo, vivida na ocasião, seria nada perto da crise da água para abastecimento humano e para o desenvolvimento sócio-econômico em várias partes do mundo, incluindo o semi-árido do Nordeste do Brasil.

"Estamos, portanto, vivendo uma situação prevista há mais de 30 anos, devido ao crescimento populacional, degradação do meio ambiente, redução da pluviometria e aumento do consumo", atesta. O coronel Ferreira também defende a construção do Aqueduto do Litoral, obra destinada à captação de água do rio, à jusante de Xingó, para abastecimento das capitais nordestinas.

"No Recife, já não há mais condições para a perfuração de poços. A cada nova tentativa, o subsolo da cidade sofre a penetração da cunha de água salgada", explica.

Em seus estudos, iniciados em 1994, ele desprezou os 60 mil açudes então existentes no Nordeste, porque não resistiriam a cinco anos de seca os que tivessem, em média, menos de 30 metros de profundidade. "Assim, trabalhei com cerca de 2,5 mil açudes, antecipando as datas em que cada um deles iria secar", conta.

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Jornal do Commercio
Recife - 01.01.99
Sábado

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