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NORDESTE II
Exército pronto para atuar na transposição

Com quatro Batalhões de Engenharia e Construção (BEC) espalhados por Teresina e Picos (Piauí), Caicó (RN) e Barreiras (BA), o 1º GptE, criado em 1955, está preparado para atuar no projeto de transposição das águas do Rio São Francisco para áreas secas de Pernambuco, Paraíba, Rio Grande do Norte e Ceará.

"Não tenho dúvida de que vamos atuar nesse projeto. Estamos preparados para isso e vamos participar", confia comandante da corporação, general-de-brigada Marco Antonio Longo.

Ele lembra que o Grupamento dispõe de subunidades já atuando nas regiões onde devem ocorrer a instalação das estações de captação de água e das adutoras necessárias à transposição.

Experiência é o que não falta do Grupamento: "Temos uma Companha do 4º BEC em Itaparica (BA) exatamente de onde está prevista a saída do trecho 5 do projeto, aquele que se destina à Paraíba, com penetração pelo Cariri. Temos outra, ligada ao 3º BEC, em Santa Maria da Boa Vista. Ali, já trabalhamos, aliás, em obras do São Francisco, exatamente onde está prevista a saída do trecho 1. Sai justamente de lá a Adutora do Oeste, que já é uma transposição de águas. Percorre Pernambuco e futuramente vai se dirigir ao Piauí, levando água do rio".

O general diz ter informação da Secretaria Nacional dos Recursos Hídricos e que as licitações (das quais, como órgão público, o Grupamento não participa) serão iniciadas neste primeiro semestre do ano para execução das obras a partir do segundo semestre.

Atualmente, o 1º GptE atua, na área seca, em obras de construção de poços, canalizações, estradas, escolas e substituição de casas de taipa por outras de alvenaria (em convênio com a Fundação Nacional da Saúde, interessada na eliminação da Doença de Chagas).

Também cuida da coordenação do abastecimento da área seca à base de carros-pipa. "Nós os alugamos e fiscalizamos a distribuição da água potável em 500 municípios nordestinos e Norte de Minas. São, portanto, mais de 2 milhões de pessoas atendidas", conta o general Longo.

PRESSÃO POPULAR - Comparando os custos do projeto (US$ 1,6 bilhão) com os gastos para o atendimento emergencial a um único período de seca (US$ 1,2 bilhão, segundo cálculos da Sudene), o general não tem dúvida de que a transposição de águas do São Francisco será executado até por força da pressão popular.

"Tenho sido convidado a participar de debates, simpósios e conferências sobre o assunto e dito, nessas ocasiões, que estamos preparados. Temos condições, meios, experiência, um acervo de obras já realizadas e estamos disponíveis para colaborar com esse projeto", assegura.

A presença do Exército é tão forte na área, lembra ele, que o GptE já mantém, coincidentemente, uma Companhia do 4º Batalhão em Formosa do Rio Preto, onde uma falha tectônica favorece outro projeto de transposição: o de águas do Rio Tocantins para o São Francisco, conforme estudos preliminares já andamento.

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Jornal do Commercio
Recife - 01.01.99
Sábado

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