LG_jc.gif (3670 bytes)

ANO NOVO
Ano 2000 tem promessa de muitas atrações

por CAROL ALMEIDA

Qual a pessoa que, mesmo desprovida de qualquer superstição de calendário, não faz aquela velha promessa de virada de ano? Poucas é o nome dessa `pessoa'. Mas a notícia é que, além de todos os mortais que planejaram parar de fumar ou começar um regime nesta entrada de ano 2000, os órgãos públicos e as pessoas que movimentam o setor cultural da cidade também já fizeram sua própria lista de promessas para um ano de atividades. Teatro, artes plásticas, cinema, música e quadrinhos: segundo o que está escrito no papel, tudo vai melhorar em termos físicos e qualitativos. O que se espera agora é que, ao contrário da `velha promessa de virada de ano', esses projetos sejam cumpridos com a mesma eloqüência com que eles são descritos pelos seus idealizadores.

Se 1999 foi um ano em que o gráfico indicou uma seta ascendente no crescimento de festivais de música, 2000 promete ainda mais. Rec-beat, Abril Pro Rock, PE no Rock, Skol Rock e outros 'n'roll da vida já estão mais do que marcados no calendário deste ano. Investindo em grandes eventos para chamar a atenção do público para as bandas pernambucanas, os produtores desses festivais pensam alto. Logo no começo do primeiro semestre, o Rec-Beat antecipa esses sinais de melhoria. Além de programar mais dois dias para o evento (agora serão sete dias, de 1º a 7 de março), Guty, o produtor da festa, pretende também montar uma tarde com o chamado `rec-beatinho', com grupos de música infantis. À noite, serão cinco apresentações por dia, entre bandas pernambucanas, de outros cantos do Brasil e, garante Guty, atrações internacionais. O local dos shows será o mesmo do ano passado, o palco da Rua da Moeda.

Depois de março, Abril Pro Rock. A 8ª edição do festival acontece no mesmo bat-local (o pavilhão do Centro de Convenções) e deve vir com duas atrações internacionais. Uma delas é possivelmente a banda escocesa Bloco Vomit, grupo influenciado pelas batidas do mangue beat. A outra pode ser a So Fly, de Max Cavalera. O único porém para esta última seria o cachê da banda. "A grande novidade mesmo é que este ano finalmente nós vamos montar a tenda eletrônica depois dos shows", garante Paulo André, um dos produtores do festival. A tal tenda está planejada como um tipo de boate mais alternativa onde as pessoas possam curtir um som dançante (entenda-se tecno) depois dos shows.

E em se tratando ainda de palcos, a Prefeitura da Cidade do Recife promete transformar o Armazém 12, no Recife Antigo, em um grande espaço cultural onde música, teatro, artes plásticas, dança e feiras alternativas no melhor estilo Mercado Pop pudessem interagir igualmente. O local terá 2 mil metros quadrados de área e deve receber semanalmente bandas pernambucanas para apresentação de shows. "O espaço será muito bem estruturado, com um grande palco, serviço de bar, mezanino e auditório", assegura Raul Henry, secretário de cultura da cidade.

Saindo dos festivais e entrando na realidade das bandas, a novidade é que este ano o número de CDs made in Pernambuco nas lojas deve aumentar. Grupos que já estavam devendo uma gravação como Faces do Subúrbio, Nação Zumbi e Querosene Jacaré devem chegar ao mercado ainda no primeiro semestre do ano. Enquanto isso, Silvério, do Cascabulho, grava CD solo cantando Jacinto Silva e as meninas do Comadre Florzinha entram em turnê internacional pelos Estados Unidos, Canadá e Europa. Sem contar que os `Casca' também devem entrar em uma nova viagem para o New Orleans Festival e que o Maracatu Estrela Brilhante e a Orquestra de Frevo Tropicália representarão o continente americano na feira internacional de Hannover. Ou seja, para a música, vai ser um ano de Pernambuco espalhado pelo mundo e, espera-se, pelo próprio estado também.

-----------------------------------------------------------------------


Jornal do Commercio
Recife - 01.01.2000
Sábado