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DO ZERO
Projetos nas artes cênicas são para sair do marasmo

Este ano conta com três zeros em seu número. Isto é mais do que um bom motivo para se dizer que o teatro pernambucano vai estrear temporada partindo destes três algarismos, ou seja, do nada. Em 99, não houve o tão esperado Festival Nacional de Teatro, o Teatro Santa Isabel continuou em sua eterna reforma e muito pouco se fez pelas artes cênicas do estado. Mas 2000 promete sair da coxia com ar de estrela. São muitos os projetos e as promessas ficam um pouco mais próximas. O Festival Nacional de Teatro vai acontecer, o Santa Isabel será reinaugurado, as peças serão mais freqüentes e, quem sabe, o público será maior.

Ainda este mês, três grandes atrações para o público: a estréia da peça de João Falcão baseada no livro de Adriana Falcão, A Máquina, a sexta edição do festival Janeiro de Grandes Espetáculos e a nona edição do Todos Verão Teatro. Nos dois últimos casos, a proposta é levar uma quantidade de público maior para o teatro. Para isso, além das peças, o grande atrativo é o preço: R$ 3,00 em ambos os festivais. O primeiro acontecerá nos teatros Parque e Apolo e o segundo no Barreto Júnior.

Outra grande novidade será a reforma do Teatro do Parque. As obras devem começar ainda neste primeiro semestre e, segundo a prefeitura do Recife, depois de quatro meses de serviços, o espaço será confortavelmente devolvido ao público com sistema de refrigeração e poltronas novas. Melhor para o teatro e muito bom também para o cinema. O Hermilo Borba Filho, também depois de completada sua reforma, volta à cena não somente com fachada nova mas, principalmente, com uma proposta mais funcional: no espaço do teatro será desenvolvido um núcleo de formação em artes cênicas, com cursos, oficinas e palestras para atores e técnicos.

E o Santa Isabel? Será finalmente o mais tradicional e luxuoso teatro do Estado devolvido à população? Desta vez, você não decide, você espera até as águas de setembro chegarem para, segundo a prefeitura, poder assistir à tão esperada reinauguração do teatro. E, se tudo correr sem maiores entraves, este evento deve acontecer em meio à abertura do ("sim, ele virá!", promete Raul Henry) Festival Nacional de Teatro do Recife. E se ainda tudo o que foi acima descrito for concretizado, uma salva de palmas para aqueles que prometeram. (C.A.)

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Jornal do Commercio
Recife - 01.01.2000
Sábado