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ANO NOVO Calor agita o último dia do ano no Centro O último dia do ano, de muito calor, agitou ainda mais, ontem de manhã, o já tão movimentando centro da cidade. As lojas de confecções ficaram cheias de retardatários à procura da tradicional roupa branca para o réveillon. Nas sapatarias, os calçados pretinhos foram desprezados e os tons claros disputados. Bandinhas tocaram para atrair fregueses. Os evangélicos se exaltaram ainda mais nas pregações para converter pecadores na entrada do ano em que se comemoram os 2 mil anos do nascimento de Cristo. Nas igrejas católicas, fiéis agradeceram e pediram graças. Tudo funcionou em ritmo acelerado. Afinal, era a despedida do último dia de 1999. Na Praça da Independência, a Banda da Polícia Militar se apresentou. Mostrou um repertório variado e encerrou a exibição com um frevo. O sol estava quente demais. Mesmo assim, muita gente parou para ouvir a banda tocar. Se pudesse, ficava aqui sentada escutando essas músicas, mas tenho tanta coisa para fazer ainda hoje, comentou apressada Fátima de Araújo. Já o aposentado José de Lima Pereira estava com tempo de sobra. Vou ficar ouvindo até o fim. A banda toca muito bem, disse. Numa das lojas da Rua Nova, a adolescente Lídia Cavalcanti, em companhia da mãe e de uma irmã, procurava uma roupa branca moderninha. Quero um vestidinho curto e bem decotado, contou. A dona de casa Rosa Andrade, depois de muita escolha, comprou uma sapatilha prateada. É bem confortável e não está muito cara, disse, satisfeita. Na Matriz de Santo Antônio, Gilberto Oliveira parou para rezar. Por pior que tenha sido 99, cheguei ao final do ano com saúde e trabalho, o que é muito importante. Por isso estou agradecendo a Deus. Na Matriz da Boa Vista, Eulália Carvalho pediu a Nossa Senhora para o ano 2000 ser menos violento do que o que terminou. A gente anda assombrada, achando que não vai voltar viva pra casa. Esse mundo precisa de paz, afirmou. Evangélicos ocuparam uma calçada na Avenida Dantas Barreto e fizeram pregações. As pessoas passavam apressadas. Jesus me salvou, aleluia. Antes ninguém me dava valor, aleluia. Jesus entrou em minha vida e tudo se transformou, aleluia, gritava suada uma mulher. A agitação só terminou quando o comércio fechou as portas para reabri-las somente na próxima segunda, terceiro dia do ano 2000. |
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