LG_jc.gif (3670 bytes)


Altman, Rob Reiner e Reichenbach nas primeiras sessões de 2000

por LUIZ JOAQUIM

Se as últimas estréias do ano significassem alguma espécie de prenúncio do que está por vir nos próximos 12 meses, então 2.000 poderia ser um interessante ano para as salas de exibição da cidade. A começar pela estréia do último trabalho de um dos mais contundentes diretores americanos: Robert Altman. Desta vez, em A Fortuna de Cookie, o cineasta mira sua câmera raio-x para os personagens de Holly Spring - uma cidadezinha ao sul do Estados Unidos - e desbarata o que está por trás da hipocrisia de personagens como a de Glenn Close. Uma cara-de-pau que, ao descobrir um suicídio na família, tenta transformar a história em um assassinato, pondo em risco a vida de inocentes. Ainda no elenco, Julianne Moore, Liv Tyler e Chris O'Donnell. Autor de dois tratados sociais (Prêt-A-Porter e Short Cuts), Altman disse que, em A Fortuna de Cookie, "procurou revelar convenções sociais e os segredos nesses lugares onde todo mundo sabe o que o outro faz, mas nunca fala sobre isso".

Já em A História de Nós Dois, o diretor Rob Reiner (Harry and Sally) coloca Michelle Pfeiffer e Bruce Willis como um casal emocionalmente esgotado que tenta uma separação judicial enquanto seus filhos estão numa colônia de férias. Durante a separação, ambos refletem sobre tudo que compartilharam e tentam descobrir em que ponto do relacionamento o mesmo sentimento que os unia começou a separá-los. O Cinema do Parque começa o ano com uma estréia nacional. Dois Córregos, de Carlos Reichenbach (Alma Corsária), apresenta Beth Goulart indo recuperar a casa de campo que herdou dos pais, atualmente sob o domínio de grileiros. Na ocasião, ela relembra a última vez que esteve no local, na década de 60, aos 17 anos, quando levou a colega (Luciana Brasil) para veranear em Dois Córregos, junto ao tio (Carlos Alberto Riccelli), um ativista de extrema esquerda.

Voltando às telas o mais que agradável Mero Acaso. O filme de Nick Hamm tem todos os ingredientes da típica comédia romântica inglesa e atrai justamente pela falta de pretensão ou postura "modernosa" de fim de milênio. Com uma narrativa bem amarrada, o espectador vai descobrindo aos poucos o porquê do equilibrado artista plástico, interpretado por Joseph Fiennes (Shakespeare Apaixonado), se encontra numa sessão de psicanálise enquanto seus melhores amigos, um ator e um empresário de sucesso, brigam por uma americana (Monica Potter) que resolveu mudar sua vida viajando para Londres.

_________________________________________


Jornal do Commercio
Recife - 31.12.99
Sexta-feira