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COMPORTAMENTO IV
Famosos dão receita para uma convivência harmônica

AGÊNCIA GLOBO

Com o aumento do número de divórcios e das novas famílias, o Natal e o ano-novo se transformaram, para muitos, numa maratona de festas de pais, mães, ex-parceiros, madrastas, padrastos, irmãos e meio-irmãos. Os pequenos Gianmarco, de 1 ano, e Giulia, de 3, filhos do jogador de vôlei Giovane e de Patrícia, por exemplo, tiveram este ano, pela primeira vez, duas festas de Natal. Apesar da separação, os pais mantêm um ótimo relacionamento e Patrícia acredita que as duas crianças vão gostar dos presentes em dobro.

"Acho que eles não terão grandes problemas, porque já se adaptaram à nova situação e estão gostando de ter tudo em dobro: duas casas, dois quartos, logo, duas festas de Natal. Tudo deles agora é em dobro", diz o jogador.

A psicanalista Inês Ribeiro, da Clínica NovaMente, comenta que seus pacientes, adultos e crianças, já tratam com mais desenvoltura o que um dia foi motivo de estresse. Até por resultados obtidos na terapia, as novas famílias compreendem que precisam se adaptar à realidade contemporânea sem maiores sofrimentos.

"É preciso ter discernimento para saber que aquelas antigas festas de final de ano, que reuniam uma família numerosa, é incompatível no mundo atual. As novas famílias obrigam que as festas sejam diferentes, e podem ser muito gratificantes".

Um exemplo de como se pode viver o Natal sem grandes dificuldades é o da socialite Narcisa Tamborindeguy e de seu ex-marido, Caco Johanpeter. Ela passou o dia 24 com a filha Catarina, de 9 anos, mas, no dia seguinte, a menina embarcou com o pai para o Natal da família Johanpeter, em Porto Alegre, presidido por sua bisavó Helda. No Rio de Janeiro, a festa foi simples, apenas com a família de Narcisa, em Copacabana. No Sul, é uma festa tradicional da família de origem alemã.

"Catarina é uma menina muito feliz e adora festejar o Natal aqui no Rio e no Sul também. Ela viaja para o Sul desde que eu e Caco nos separamos e adora, porque é uma celebração de paz e amor pelos outros", diz Narcisa

O psicanalista Miguel Calmon, da Sociedade Brasileira de Psicanálise do Rio de Janeiro, disse que ele e os três filhos (Carolina, de 19 anos, e Miguel, de 18, do primeiro casamento; e Luiza, 9 anos, do segundo) sofreram muito até encontrar uma nova maneira de se relacionar após o fim dos dois casamentos.

DESENCONTROS - "Por mais paradoxal que seja, houve momentos em que as dificuldades e os problemas a serem enfrentados foram tantos que renunciar à nossa relação parecia a saída menos dolorosa". Ele diz, porém, que já houve natais de encontros e outros de desentendimentos e desencontros. Mas o amor e o desejo de estar juntos, segundo ele, sempre resistiram.

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Jornal do Commercio
Recife - 26.12.99
Domingo