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SAÚDE Prevenção começa com um simples toque por MONA LISA DOURADO Por conta de uma dor causada por uma pancada no peito, a professora Márcia Silva (nome fictício), 46 anos, decidiu realizar um auto-exame da mama. Durante os toques, a professora detectou a presença de um caroço no local. Consultando um especialista, foi surpreendida por um diagnóstico de câncer, em julho deste ano. A notícia de que teria de fazer uma mastectomia, cirurgia para a retirada da mama, deixou-a atônita. "No início é um choque, mas depois tudo o que você quer é seguir o caminho da cura, fazendo o que for necessário para alcançá-la", revela Márcia. Atualmente livre do tumor, cinco meses após a descoberta, ela já retomou suas atividades normais, submetendo-se apenas à quimioterapia como um tratamento complementar. Infelizmente, o exemplo da professora não é o mais comum. O medo de perder o seio, símbolo da maternidade feminina, é o grande entrave para que a maioria das mulheres procure um mastologista periodicamente. Só no Brasil, de acordo com dados do Instituto Nacional do Câncer (INC), surgem 35 mil novos casos de câncer de mama por ano, o qual representa a segunda causa de óbito entre a população feminina, com seis mil mortes registradas. A razão para esse alto índice, segundo os médicos, é o fato de que 80% dos casos só são diagnosticados em estágios avançados, quando não há mais chances de cura. Para o mastologista Antônio Figueira Filho, tais estatísticas são fruto da falta de campanhas efetivas de conscientização e educação pública. Até porque, hoje, o câncer de mama é perfeitamente curável, se diagnosticado no início, como aconteceu com a professora Márcia. A mutilação da mama, por sua vez, também pode ser evitada graças a uma série de estudos, drogas e técnicas cirúrgicas que vêm sendo desenvolvidos e que ajudam a melhorar a auto-estima da mulher. "Há uma tendência em se fazer cirurgias cada vez mais conservadoras", garante Figueira. Uma delas é a quadrantectomia, na qual só se retira um quarto da mama, em casos de tumores menores que três centímetros. Acima desse tamanho, o indicado é a mastectomia seguida da reconstituição mamária, que recompõe a mama com tecidos da barriga. O procedimento já é largamente empregado em Pernambuco, gratuitamente, no Hospital Osvaldo Cruz. NOVIDADE - Outra técnica mais recente, utilizada há apenas um ano pelo médico Antônio Figueira, no Hospital Santa Joana, é denominada de Avaliação do Nódulo Sentinela. Considerando-se que a axila é o primeiro lugar para onde o câncer de mama pode se expandir, a axilectomia (cirurgia que retira todos os nódulos axilares) é obrigatória em mulheres com câncer de mama, até como forma de prevenção. No entanto, o procedimento pode causar alguns efeitos colaterais, a exemplo de inchaço, erisipela e dificuldade de mover o braço. Com a nova técnica, já utilizada com sucesso em 40 mulheres, apenas um nódulo é extraído - o sentinela -, primeiro em que seria verificada a presença de metástase, caso a doença se expandisse. "Não havendo metástase, não se esvazia a axila, evitando-se as reações indesejadas e proporcionando maior conforto estético às mulheres", esclarece Figueira. Além do Santa Joana, no Brasil, apenas alguns hospitais de São Paulo e Belo Horizonte possuem a Gama Câmara, equipamento sofisticado para a realização da cirurgia que requer o emprego de medicina nuclear para identificação do nódulo. Doze horas antes de a paciente entrar na sala de operação, ela recebe uma injeção de tecnésio, um elemento radioativo que ajuda no processo. Uma incisão de apenas dois centímetros na axila, feita com anestesia local, é suficiente para concluir a cirurgia, cujo período de repouso pós-operatório é de somente 24 horas. "A técnica permite que a gente se recomponha emocionalmente, por nos sentirmos menos agredidas", afirma Márcia. Segundo o oncomastologista Rossano Araújo, outro aspecto importante a ser ressaltado é o de que o câncer de mama hoje é tratado de uma forma multidisciplinar. Assim, depois que a paciente é operada, se for necessário, ela passa por uma radio, quimio ou hormônioterapia para se prevenir de reincidência do tumor. O aconselhamento genético, ainda inédito em Pernambuco, brevemente se constituirá em mais uma arma contra o câncer de mama. O método vai permitir que se identifiquem mulheres com alta propensão a desenvolver a doença através de um banco de DNA, a partir do qual se poderá observar a existência de mutações em dois genes conhecidos como BRCA1 e BRCA2. "Se esses genes são mutados por interferências externas como a ação do tabagismo, alcoolismo ou estresse, a paciente fica com 85% de chance de ter um câncer de mama ao longo da vida, necessitando de um mecanismo preventivo mais eficaz", avalia Rossano. (M. L. D.) |
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