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PROPOSTA
Qualidade de vida começa pela boca

AGÊNCIA GLOBO

A alimentação física e mental, a movimentação e a respiração formam o trinômio para uma melhor qualidade de vida. Esta é a proposta do professor nipo-brasileiro Tomio Kikuchi, fundador da Escola Musso, em São Paulo, e presidente do Instituto Princípio Único. O educador afirma que o autocontrole é a saída para viver com saúde, energia e vitalidade. Ele critica o consumismo, a mistificação do orientalismo e da macrobiótica e as dietas ricas em proteínas.

A educação vitalícia é baseada na autotransformação e na auto-educação. Isto significa aprender a lidar com os problemas e a corrigir os erros. O estresse em casa e no trabalho, por exemplo, fortalece o indivíduo e aumenta sua vitalidade, segundo o professor.

"Não há caminho verdadeiro ou correto, porque somos obra-prima do desequilíbrio. Os erros são a prova da nossa existência, mas devem ser corrigidos constantemente. É impossível se aperfeiçoar ou crescer sem enfrentar as adversidades. A competição e todos os problemas que aparecem fortalecem" afirma Kikuchi.

EXEMPLO DE PAI - Na opinião de Kikuchi, não se pode fazer uma educação de qualidade sem autodisciplina. Quase todos os problemas do ser humano estão relacionados com os principais componentes da nossa individualidade: mentalidade, sentimento e vontade. O professor compara as crises que enfrentamos com as ondas do mar. Quem não tem uma boa prancha, afunda e se afoga.

"A prancha é a alavanca da vida e a sua capacidade de autocontrole e autotransformação é a base da educação vitalícia e de um estilo de vida preventivo. Para melhorar a qualidade de vida, é necessário diminuir o peso da nossa prancha. E as crianças devem aprender isso desde os primeiros anos de vida, para não se tornarem revoltadas e agressivas. Quanto mais cedo se aprende, maior é a vitalidade na fase adulta. Isso também depende do comportamento dos pais e eles não devem ter medo de dizer não aos filhos. Mas não adianta apenas cobrar, é preciso dar exemplos e amar. É importante usar palavras que tocam o coração", diz Kikuchi.

Segundo o professor, um bom exemplo para as crianças é evitar o consumismo, que prejudica a autotransformação. "O dinheiro não é uma boa prancha, porque não dura e se torna pesada. Quem só se interessa por dinheiro não vive sossegado e não aumenta sua autoconfiança", diz o professor

AÇÚCAR DESTRÓI - a alimentação é outro fator essencial para o processo educacional vitalizante. A maioria das pessoas faz a opção por uma dieta diária rica em proteínas, doces e refrigerantes, produtos que não revigoram. Doenças gástricas e até mesmo o câncer podem ser desencadeados por este tipo de cardápio. O açúcar é um dos maiores inimigos do organismo e é contra-indicado pelo professor.

"Os doces são um veneno, especialmente para o coração. Os animais selvagens, por exemplo, não comem açúcar, alimento que pode ser comparado a uma droga. Por isso são fortes, resistentes e têm mais energia. Gorduras saturadas e álcool também são desnecessários na dieta".

Ele afirma que a pessoa pode comer de tudo, mas dentro de um limite necessário e associado à prática de atividade física. Apesar de não fazer restrições à maioria dos alimentos, o professor recomenda um maior consumo de cereais integrais, raízes, legumes e verduras, de preferência sem aditivos químicos, como cereais integrais e raízes.

"Este tipo de alimentação é mais vitalizador. Mas não deve existir fanatismo. É preciso desmistificar a macrobiótica, que alguns adeptos afirmam ser a solução para todos os problemas e o fim das doenças. Isto também é utópico. É importante lembrar que vivemos num país tropical e nosso sistema não precisa de calorias em excesso", conclui Kikuchi.

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Jornal do Commercio
Recife - 26.12.99
Domingo