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SURPRESA
Yeltsin renuncia à presidência da Rússia

MOSCOU - O presidente russo Boris Yeltsin renunciou ao cargo ontem de maneira inesperada e deixou todo o poder nas mãos do atual primeiro-ministro, Vladimir Putin. Novas eleições serão convocadas em 90 dias. "Hoje, no último dia deste século que se vai, eu renuncio", anunciou o controvertido político de 68 anos.

A renúncia acontece logo após o sucesso dos partidos centristas e pró-governo nas recentes eleições parlamentares. Os partidos que apóiam o primeiro-ministro Vladimir Putin saíram-se inesperadamente bem, credenciando-o como sucessor de Yeltsin.

Pela Constituição russa, deve haver eleições presidenciais 90 dias após uma eventual renúncia do chefe de Estado. Putin ocupará a presidência interinamente. A renúncia de Yeltsin foi anunciada durante a tradicional mensagem de fim de ano à nação.

A saída de Yeltsin tem efeito imediato e, conseqüentemente, todos os poderes presidenciais, incluídos aqueles referentes à "maleta nuclear", passaram a Putin, que governará a Rússia interinamente durante os próximos três meses, segundo indica a Constituição.

DISCURSO - Boris Yeltsin deixou o Kremlin às 14h (hora local) de ontem rumo à sua casa de campo e recebeu a despedida de seus mais próximos colaboradores e de Vladimir Putin, chefe de Estado interino.

No pronunciamento transmitido pela televisão, Yeltsin havia pedido `perdão' ao povo russo, lamentando-se por não ter podido fazer mais e "porque muitas de nossas esperanças não se materializaram", disse, completando: "elas nos pareciam simples e isso resultou doloroso e penoso".

"Peço perdão por não ter justificado certas esperanças daqueles que acreditavam que poderíamos, de um só salto, deixar para trás o passado cinzento, totalitário, estagnado, para um futuro claro, rico e civilizado. Até eu mesmo acreditava", disse.

"Fui muito ingênuo e os problemas se mostraram muito complicados. Tentamos avançar através dos erros, através dos fracassos. Muita gente, durante esta época difícil, sofreu decepções", continuou Yeltsin, que parecia muito emocionado durante seu discurso de despedida. Seu segundo mandato terminaria em julho.

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Jornal do Commercio
Recife - 01.01.2000
Sábado