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PINGA FOGO
Inaldo Sampaio

Feliz ano novo

Entramos hoje no século XXI com um pouco mais de esperança e otimismo do que nos encontrávamos um ano atrás. Conforme demonstraram recentemente duas acreditadas pesquisas de opinião, a maioria do povo brasileiro se encontra hoje na oposição (o governo do presidente Fernando Henrique Cardoso consegue ser aprovado apenas por menos de 20% da população), embora faltem líderes políticos no país para capitalizar o seu desgaste. Dizem os economistas do governo que as perspectivas para a primeira década deste novo século são muito mais otimistas do que a década que terminou ontem porque os indicadores econômicos sinalizam que o Brasil cresceria entre 3,5% a 4% no curso deste ano, que a taxa de desemprego declinaria, que a inflação permaneceria sob controle e que o déficit crônico da previdência começaria finalmente a desaparecer.

Discussões à parte sobre se o país está saindo de duas "décadas perdidas", "desperdiçadas" ou "prostituídas", como prefere o professor Dércio Munhoz, o fato é que existem hoje dois brasis - um pobre e outro rico -, que cada vez mais se diferenciam, e que por maior que tenha sido o esforço do governo para superar essas desigualdades elas não aparentam ter regredido, de acordo com as próprias estatísticas oficiais. Muito pelo contrário, em alguns casos até se ampliaram pelo ressurgimento de doenças que só se viu aqui no século passado. Mas vale a pena ser otimista porque quem não olha para a frente e não tem a perspectiva do futuro é um fracassado.

No plano estadual, como reconhecem políticos e economistas, Pernambuco está com a faca e o queijo na mão, a partir da venda da Celpe, para ampliar a sua base de infra-estrutura a fim de entrar também na onda do desenvolvimento econômico e social. Há muitas coisas para serem feitas, porém nenhuma delas é mais urgente e necessária do que a solução do abastecimento d'água - um mal que não aflige mais somente os sertanejos mas também as populações da área metropolitana, da zona da mata e do agreste. Mãos à obra, pois, e um feliz ano novo para todos.

Caixa zerado

Primeiro secretário da Assembléia Legislativa, o deputado Guilherme Uchoa, do PMDB, deu o balanço ontem na contabilidade de 99: terminou o ano com o caixa zerado mas sem dever um tostão a ninguém. Este ano, segundo ele, com a decisão do STF proibindo a redução do duodécimo, a Casa receberá mensalmente R$ 7 milhões, contra os R$ 5,7 milhões do exercício anterior.

Falta a cabeça

Na eleição municipal de 96, o Partido Progressista Brasileiro (PPB) elegeu no Recife seis vereadores, surpreendendo até mesmo os seus principais líderes que esperavam um máximo de cinco. Mas aquilo teve uma explicação: o partido teve o seu próprio candidato à prefeitura, que foi o deputado Pedro Corrêa. Na deste ano, sem candidato a prefeito, talvez eleja três ou quatro.

Só no páreo

Eleito pelo PSB e atualmente no PFL, o prefeito de Catende, Otacílio Cordeiro, aliado do deputado federal Joel de Holanda, está correndo o sério risco de disputar a reeleição sem adversários. Está conseguindo compor-se com todo mundo, inclusive com o ex-prefeito (duas vezes) Odorico Freire (PSB), aliado de Miguel Arraes, que já garantiu que irá apoiá-lo.

Saiu o livro de Ronaldo Cunha Lima

Muito procurado nos meios jurídicos o livro "Efeito vinculante", do senador Ronaldo Cunha Lima (PMDB-PB), autor da emenda que defende a subordinação das instâncias inferiores do Judiciário às decisões do STF.

Depois de 37 anos recusou o benefício

Maluf, que passou o réveillon em Pernambuco, contou ao deputado Pedro Corrêa (PPB-PE) que contribuiu 37 anos para a previdência social. Como o benefício a que tinha direito era de apenas R$ 900,00, ele recusou.

Pavio curto

Em 1979, já indicado por Geisel para presidente, Figueiredo veio ao Recife e foi abordado pelo repórter Geraldo Sobreira com esta pergunta: "Qual sua opinião sobre Miguel Arraes?" (então exilado). "A pior possível", respondeu o general. Não foi surpresa, portanto, ele ter declarado à revista "Isto É" que ACM é "bajulador" e José Sarney um "fraco", "puxa saco", "traidor" e "pulha".

Só conversa

Para enfrentar a candidatura do ex-presidente da Fiam, Laércio Queiroz (PPS), à prefeitura de Bonito, a prefeita Lúcia Heráclio (PMDB) iniciou uma aproximação com o ex-prefeito José Pinheiro (PSDB). Já o ex-deputado Ribeiro Godoy (PPB) deverá compor-se com Laércio, caso não dispute o cargo em faixa própria. Lúcia, Laércio e Pinheiro já foram aliados de Arraes.

O presidente da Assembléia Legislativa, deputado José Marcos de Lima (PFL), está com uma empreitada dificílima: tentar reaproximar a prefeita de Arcoverde, Rosa Barros (PFL), do vice-prefeito Werner Brito (PMDB). O vice apoiou o deputado na eleição de 98 e agora quer o apoio dele para enfrentar a atual prefeita.

Do prefeito Roberto Magalhães numa de suas visitas costumeiras pelos bairros da periferia: "Não conheço cidade mais ocupada desordenamente do que o Recife".

Do presidente nacional do PT, deputado José Dirceu, com base nas pesquisas do Datafolha: se marcharem unidas, as esquerdas ganharão as prefeituras de São Paulo, Rio de Janeiro, Belo Horizonte e Porto Alegre. Não fez menção a Curitiba, Salvador e Recife, aonde o PFL lidera as prévias.

O prefeito de Jaboatão, Fernando Rodovalho (PSC), empossará na próxima semana o jornalista Jacques Cerqueira na Secretaria de Imprensa. Cerqueira entrará no lugar de Pedro Moura, que pediu exoneração por questões de "foro íntimo".

inaldo@jc.com.br


Jornal do Commercio
Recife - 01.01.2000
Sábado