![]() |
![]() |
![]() |
![]() |
![]() |
CURITIBA A capital paranaense oferece seu lado mais espontâneo por SÉRGIO ROBERTO LIMA O futuro já chegou em Curitiba. Alguns dizem que foi depois que a escultura do Homem Nu, representando o Paraná emancipado, em busca do novo, ganhou a companhia da Mulher Nua, na Praça 19 de Dezembro. Brincadeiras à parte, o fato é que a cidade não é mais só uma ilha de excelência em meio aos municípios caóticos que conhecemos País afora. A capital paranaense desenvolveu-se e foge ao conceito de uma cidade de fachada, apenas politicamente correta. Já oferece aos turistas o seu lado espontâneo. Surpreendente, se levarmos em conta que, no começo do século passado, era apenas uma vila onde os tropeiros que vinham do sul paravam para descansar do transporte de carne seca até Minas Gerais ou da condução da boiada até São Paulo. Hoje, a cidade, sem dúvida, deu certo. Num País que se vende pelas suas praias, a mais próxima está a uma hora e meia de carro. Não adianta procurar: por lá, não existe nunhum cenário natural de fazer o queixo cair. Mas se a natureza não lhe foi generosa ou os seus fundadores não deram um motivo mais nobre para o seu surgimento, os administradores trataram de mudar esse cenário. A transformação começou com idéias simples. Tanto que, quando se começou a falar em Curitiba, no começo da década de 80, o tom das conversas era de que surgia uma surpreendente cidade totalmente diferente do padrão nacional. Algo como "cidade ecológica", "transporte público eficiente", "alto nível de vida". Ao contrário da maioria dos municípios brasileiros, Curitiba soube crescer. Possui hoje 1,5 milhão de moradores e recebe perto de 1 milhão de turistas por ano. No lugar de praias, Curitiba tem 14 parques, 12 bosques públicos e cerca de 1.100 bosques particulares. No total, são 80.753.958,41 metros quadrados de área verde, o que dá mais de 50 metros quadrados de verde para cada morador (quatro vezes mais do que o mínimo recomendado pela ONU). O eficiente e complicado sistema de transporte público é orgulho dos curitibanos. O quadro de saída dos ônibus aponta horários como 7h58, 15h32 e 20h04 e que, por incrível que pareça, são cumpridos. As ruas do centro, que em várias cidades sintetizam desorganização, são locais para um programa agradável. O motivo para se tirar o chapéu para Curitiba está em ela ter se livrado dos problemas estruturais primeiro para, depois, se maquiar para os turistas. A regra no restante do País é tomar o caminho inverso. Há miséria, há problemas. Mas, por aqui, eles são menos gritantes. Hoje, ela pode se vender, com justiça, como cidade onde se vive bem. |
|