LG_jc.gif (3670 bytes)

CURITIBA IV
Macarrão italiano e repolho polonês

Se os tropeiros foram os responsáveis pelo início à fundação da capital paranaense, os imigrantes deram a cara moderna que a cidade possui hoje. Sobretudo italianos, alemães, ucranianos e poloneses começaram a chegar no final do século passado e implementaram um dia-a-dia fiel à imagem e semelhança da terra natal. Com isso, boa parte dos hábitos tropeiros dos curitibanos originais foram se fundindo ou sendo substituídos pelas ações cotidianas dos imigrantes.

Alguns parques sintetizam bem essa miscigenação, abrigando vários monumentos em homenagem às nacionalidades. No Parque Tingüi, por exemplo, está o Memorial da Imigração Ucraniana, com a Igreja de São Miguel Arcanjo, de 150 metros quadrados, construída no final do século passado e que segue normas da religião ortodoxa, como cúpula oitavada, revestida externamente em cobre, com as faces representando os quadrantes do entendimento humano. A igreja não tem função religiosa. Nela, estão expostas algumas das tradições ucranianas, como as pêssankas (ovos pintados à mão).

Outro muito interessante é o Bosque Alemão, com 38 mil metros quadrados de mata nativa. Nele, há uma igreja presbiteriana de madeira que abriga o Oratório de Bach, uma sala de concertos para 150 pessoas.

Em homenagem à etnia polonesa, que chegou a Curitiba por volta de 1870, foi erguido o Bosque do Papa. O local foi inaugurado cinco meses depois da passagem do papa João Paulo II em 1980. Lá está em permanente exposição a réplica de uma casa rural tipicamente polonês, com uma pipa de azedar repolho, uma carroça antiga e uma imagem da Virgem Negra de Czestochowa.

COZINHA DA MAMMA - Mas talvez nenhum povo seja tão marcante para a formação de Curitiba quanto os italianos. Tanto que eles não têm mais do que um memorial ou um parque em sua homenagem, mas um bairro inteiro, o Santa Felicidade. A prova da integração dos italianos em Curitiba são as duas principais ruas de Santa Felicidade, chamadas de Via Veneto e a Avenida Manoel Ribas. Nesses dois endereços, moram descendentes que aprenderam com os antepassados técnicas de produção artesanal de móveis de vime. Das várias vinícolas do bairro, saem alguns dos vinhos mais deliciosos do País.

E é na gastronomia que Santa Felicidade chama a atenção de turistas e curitibanos adoradores da mesa farta. Em suas dezenas de restaurantes são encontrados - além dos redundantes nhoque, pizza, risoto e lasanha -, macarrão com frango, polenta e outros pratos com um tempero feito por uma mamma originalmente italiana.

Não deixe de ir, por nada, ao famoso Madalosso, que já foi citado pelo Guiness Book como o segundo maior restaurante do mundo. Capacidade: perto de 5 mil pessoas. Trata-se, na verdade, de uma espécie de multiplex gastronômico, com sete restaurantes num só. A diferença é que o mesmo cardápio é exibido em todas as salas, ou melhor, em todos os salões. Um toque: chegue cedo, pois é comum os casais darem a festa de núpcias. Às vezes, são até cinco festas ao mesmo tempo.(S.R.L.)

_________________________________________


Jornal do Commercio
Recife - 30.12.99
Quinta-feira