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GUERRAS II
Em Exu, conflito entre famílias durou mais de 30 anos

A briga entre as famílias Alencar, Sampaio e Saraiva, em Exu, durou mais de 30 anos e custou a vida de mais de 40 pessoas. Para encerrar o conflito, muitas saídas foram tentadas. Houve intervenção do Exército, da Igreja, do Estado e até da Cultura Popular, na figura do mais ilustre filho da terra, o cantor Luiz Gonzaga, que não conseguiu o sucesso esperado. Somente o amadurecimento das famílias proporcionou o sepultamento da violência. O último crime relacionado com o sangrento episódio foi registrada em julho de 1981.

Na tentativa de acabar com a guerra, iniciada a partir de um boato e transformada em disputa política, o então cardeal primaz do Brasil, Dom Avelar Brandão Vilela, esteve na cidade, em 1981. Reuniu as três famílias e tentou extrair de cada uma delas um compromisso com a paz. O pacto foi quebrado poucos meses depois. Era a segunda vez que um acordo desse tipo fracassava. O primeiro havia sido firmado em 72, diante do comandante do 71º Batalhão de Infantaria do Exército, que acampou durante um mês na cidade.

A terceira iniciativa partiu do Estado, que decretou intervenção militar no município durante um ano e meio. Nesse período, Exu contava com um dos maiores efetivos policiais de Pernambuco e as pessoas viviam como se estivessem em estado de sítio. Havia lei seca nos bares depois das 22h e a população tinha hora para se recolher. A medida deu resultado e as mortes diminuíram.

Segundo um membro da família Alencar que não quis se identificar, o conflito acabou em conseqüência de um desgaste natural. “Todos perceberam que estavam perdendo. Até quem não tinha nada a ver com a história”, afirmou. Na sua opinião, as inúmeras tentativas de conciliação também contribuíram para o processo de paz. “Muitas pessoas resolveram ir embora por causa do conflito e as gerações mais jovens preferiram adotar outra postura”.

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Jornal do Commercio
Recife - 01.09.2000
Sexta-feira