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FERIADO V
Canavieiro protesta para cobrar dívida

Cortadores de cana do Engenho Barro Branco, no município de Jaqueira, a cerca de 90 quilômetros do Recife, aproveitaram o Dia do Trabalho para cobrar uma dívida trabalhista, que segundo eles, chega a R$ 200 mil. Durante todo o diade ontem, os trabalhadores ameaçaram invadir as terras da sede do engenho, mas até o fechamento desta edição só haviam ocupado as imediações do terreno.

“A dívida que o arrendatário do engenho, José Ademir Rodrigues de Oliveira e Silva acumulou nos últimos três anos, totaliza uma quantia que ultrapassa o valor do engenho, por isso, queremos o controle das terras”, explicou Laércio José Francisco dos Santos, trabalhador que vive na área há 38 anos. Segundo ele, foram demitidos mais de 190 trabalhadores a partir de 97, mas nenhum deles recebeu indenização. “Sem dinheiro para recomeçar, as famílias não saíram do engenho. Alguns trabalhadores negociaram a dívida em terras, mas saíram no prejuízo, porque o arrendatário forneceu apenas terrenos pequenos”.

Além das demissões, os trabalhadores denunciam o descumprimento do acordo coletivo da categoria, firmado no ano passado, que fixou um salário base de R$ 177. “Os trabalhadores recebem entre R$ 5 e R$ 8 pela quinzena de trabalho e ainda assim, metade da remuneração é dada em vale compras em supermercados”, afirmou Marinalvo Silva de Andrade, presidente do sindicato.

Segundo ele, a insatisfação dos trabalhadoresse agravou no início da semana passada, quando o arrendatário das terras anunciou que paralisaria as atividades por falta de recursos para efetuar os pagamentos. “Estamos todos parados e não temos para onde ir ou que fazer. A maioria dos trabalhadores nasceu no engenho e agora nos recusamos a assistir esse arrendatário destruir tudo”, afirmou Maria Nazaré da Silva.

José Ademir Rodrigues de Oliveira e Silva rebate as acusações e garante que os trabalhadores estão sendo remunerados de acordo com sua produtividade. “Muitos se recusam a cumprir as 8h de trabalho diárias ou faltam constantemente”, afirmou. Ele garantiu ainda que 160 trabalhadores se desvincularam do engenho em sua administração e, desse total, apenas 50 foram demitidos. A dívida com os trabalhadores, ele garante que é um problema antigo de responsabilidade da Usina Frei Caneca, à qual o engenho é subordinado. “Já estamos negociando as dívidas. Os nove engenhos ligados à usina já cederam mais de mil hectare de terra para os trabalhadores”.

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Jornal do Commercio
Recife - 02.05.2000
Terça-feira