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SAÚDE
FEBRE: Sinal de alerta do organismo

por Veronica Almeida

Elevação anormal da temperatura é um sinal do organismo a infecções. Motivo de temor para muita gente – principalmente as mães preocupadas com a saúde de seus bebês –, a febre está distante de ser um bicho-papão de fato. Na verdade, ela é um sinal de alerta, acionado pelo sistema de defesa do organismo, de que algo estranho está acontecendo. Por isso, não faz sentido querer baixá-la a qualquer preço. O fundamental é saber reconhecê-la, acompanhá-la e ficar atento ao que ela está querendo sinalizar.

O conselho é do médico Edvado Souza, chefe do Serviço de Imunologia Clínica do Instituto Materno-Infantil de Pernambuco (Imip). Segundo ele, numa virose é normal a febre persistir por dois, três e até cinco dias. Ter tranqüilidade em lidar com ela não significa subestimá-la. O especialista explica que mesmo numa febre branda deve-se buscar auxílio médico se o paciente apresentar sintomas como indisposição excessiva, dor na nuca, manchas no corpo, vômito ou outra complicação.

A orientação é usar um medicamento antitérmico e observar o paciente. A elevação anormal da temperatura pode ocorrer numa simples gripe ou em situações mais complicadas, como uma pneumonia, meningite ou qualquer outro tipo de infecção. Algumas enfermidades não-infecciosas também podem provocar febre. Caso dos reumatismos e doenças malignas.

Mas, afinal, a partir de que temperatura o paciente é considerado febril? “A temperatura normal de uma pessoa é de 37ºC, meio grau a menos ou a mais”, explica. A febre se caracteriza, portanto, acima dos 37,5ºC. O paciente sente calafrios, às vezes fica corado e tem sede. É considerada alta a partir dos 40ºC e passa a representar perigo isolado quando eleva-se rapidamente ou ultrapassa os 41,7ºC. Há risco de convulsão e, no último caso, de danos cerebrais. Conforme o médico, 2% a 4% das crianças entre seis meses e cinco anos têm convulsão febril, que está associada à elevação rápida da temperatura.

Sinal de que o sistema imunológico está funcionando bem (se ela não existisse, a pneumonia só seria descoberta quando o paciente apresentasse insuficiência respiratória), em geral a febre só precisa ser controlada por causa da sensação de mal-estar que provoca. Uma pessoa com a temperatura alta tem a freqüência respiratória elevada, perde mais líquido e fica mais debilitada.

PRECAUÇÕES – Na hora de controlar a febre alguns cuidados são importantes. O primeiro deles é a escolha do medicamento. Souza lembra que há pacientes alérgicos ao ácido acetil salicílico (aspirina ou ASS). “Algumas crianças quando gripadas ou com catapora, ao tomarem aspirina podem desenvolver a Síndrome de Reye, uma doença grave caracterizada por alterações no fígado e no cérebro”.

A substância é contra-indicada também em casos de dengue, uma vez que deixa a pessoa mais suscetível a hemorragias porque diminui a agregação das plaquetas (discos responsáveis pela coagulação do sangue). Outro medicamento que merece atenção é a dipirona, que pode causar urticária ou mesmo reação anafilática em pessoas alérgicas. O paracetamol (tylenol), que ficou mais popularmente conhecido com a epidemia do Aedes aegypti, é o que tem menos contra-indicação.

O banho frio não é a boa opção em casos de febres relacionadas a infecções. “O choque térmico pode elevar mais ainda a temperatura”. Quanto ao uso de compressas, ele alerta que só deve acontecer meia hora após o uso do remédio. Agasalhar e usar chás quentes para fazer o corpo suar podem manter ou mesmo elevar ainda mais a temperatura.

A elevação da temperatura em um ou um e meio grau pode ocorrer por vários motivos sem ser uma febre de verdade. O calor do ambiente, um agasalho e um exercício físico deixam o corpo mais quente. “É normal o bebê elevar a temperatura após mamar, seja pelo contato com o calor da mãe, como também pelo calor do alimento”. As mulheres, no período fértil, têm elevação da temperatura.

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Jornal do Commercio
Recife - 02.05.2000
Terça-feira