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PARALISAÇÃO
Greve dos caminhoneiros pode causar desabastecimento, diz CNT

SÃO PAULO – O presidente da Confederação Nacional dos Transportes, (CNT) Clésio Andrade, disse ontem que, caso o Governo não consiga fechar hoje um acordo com os caminhoneiros, o País vai sofrer com o desabastecimento. Andrade acredita que metade da categoria em todo o País vai aderir à greve, liderada pela Movimento União Brasil Caminhoneiros.

Andrade afirma que a CNT apóia as reivindicações dos caminhoneiros, mas não deu aval à greve. A CNT não considera a paralisação o meio mais eficiente da categoria conseguir o que reivindica. Os caminhoneiros têm uma pauta de 11 reivindicações. Os principal ponto é o valor cobrado nos pedágios. Os motoristas pagam de R$ 3 a R$ 4,80 por eixo e querem passar a pagar R$ 1.

Eles também querem mudanças na diretoria do DNER (Departamento Nacional das Estradas de Rodagem), direito irrestrito de tráfegos de caminhões em todas as estradas e uma nova legislação trabalhista para a categoria.

Nélio Botelho, presidente do movimento, estima que um milhão de caminhoneiros começaram a parar em todo o País, desde ontem.

Já o presidente da Abras Associação Brasileira de Supermercados (Abras), José Humberto Pires de Araújo, disse que a greve dos caminhoneiros pode começar a causar desabastecimento nos supermercados a partir do próximo final de semana.

Araújo ressalta, no entanto, que os riscos de desabastecimento dependem antes de uma avaliação do tamanho da greve. “Na sexta-feira que vem nos vamos ter condições de avaliar melhor os problemas de desabastecimento”, disse.

Segundo Araújo, os produtos que correm risco de faltar primeiro são os classificados como altamente perecíveis: leite, verduras, frutas, legumes, carne bovina e de peixe. São os produtos cujo abastecimento é feito no prazo máximo de três dias, e representam 5% do faturamento do setor.

Para ele, o fato de os caminhoneiros terem descartado o bloqueio de estradas ajuda a minimizar os efeitos da greve. “Como não há bloqueios, a gente acredita que os produtos que estão sendo transportados para os supermercados vão chegar”.

Segundo o presidente da Abras, além dos altamente perecíveis, os supermercados trabalham com outras duas categorias de produtos: os perecíveis e os não-perecíveis. O abastecimento de produtos perecíveis (iogurtes, manteiga, frango congelado etc) ocorre a cada sete dias. Representam 30% do faturamento do setor. Já os não-perecíveis (mercearia e bebidas), a cada 15 ou 20 dias (65% do faturamento).

Sobre os não-perecíveis, Araújo diz que, prevendo a greve, os supermercados providenciaram estoques estratégicos e o risco de desabastecimento só existiria caso o movimento se prolongasse por pelo menos um mês. Segundo o empresário, São Paulo ainda é o grande centro distribuidor de alimentos do país. Depois, vêm os centros do Rio de Janeiro, Belo Horizonte, Curitiba, Porto Alegre, Recife e Fortaleza. Assim, o sucesso da greve depende principalmente da adesão dos caminhoneiros que operam nesses centros.

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Jornal do Commercio
Recife - 02.05.2000
Terça-feira