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COMPORTAMENTO III Prática é muito comum entre casais O policial Túlio Andrade (nome fictício), 46, e sua esposa, a funcionária pública Suzana Andrade (nome fictício), 41, casados há 19 anos e pais de dois filhos, sempre procuraram formas livres e abertas de exibibirem seus corpos e vivenciarem suas sexualidades. Começaram com a prática de nudismo nas praias reservadas do Nordeste. Depois, passaram a praticar suingue (troca de parceiros sexuais entre casais) e hoje participam de um grupo de mais de cem pessoas, que se reúne semanalmente em um bar da Avenida Norte para conversar, beber e, entre jogos e brincadeiras de conotação erótica, fazer sexo. O que para muita gente pode ser considerado anormalidade ou perversão, para Túlio e Suzana, segundo garantem, foi uma forma de acabar com a monotonia do casamento e a desconfiança, dando vazão as suas fantasias mais secretas. Nos tornamos mais verdadeiros um com o outro, além de melhorarmos nossa performance também a dois. A sós, já fizemos amor na areia de praias desertas e na sauna de um parque aquático, revela Túlio, sem constrangimentos. REPRESSÃO Para a psicóloga Aida Novelino, ao contrário de Túlio e Suzana, a maior parte das pessoas só realiza fantasias e até mesmo fala a respeito de sexo, dentro de determinadas regras, estabelecidas como o socialmente aceitável. Isso porque, entre a fantasia e sua concretização, existe o imenso abismo dos valores morais de cada cultura, que, ao serem transgredidos na prática, podem provocar graves conflitos. As fantasias são o terreno do segredo, que proporcionam prazer justamente pelo que têm de pecaminoso, transgressor e proibido. Daí o seu caráter de fantasia, construída para permanecer, em sua maior parte, apenas na mente, explica Novelino. De acordo com a psicóloga, o que alguns estudiosos e analistas convencionaram chamar de perversão só se aplica aos casos em que alguém obriga o parceiro a viver suas fantasias, desconsiderando as vontades dele e tornado-o apenas um instrumento de realização ou um simples artefato do seu cenário sexual. Afora isso, dentro do respeito ao desejo e à integridade do outro, é natural que se busquem estímulos para a vivência da sexualidade, afirma Novelino. Segundo o psicanalista José Carlos Escobar, existe ainda outra ocasião em que fantasia pode se tornar prejudicial. Geralmente, quando ela se transforma na idealização de uma cena que tem de se tornar perfeita. Nesse aspecto, diz Escobar, a fantasia funciona negativamente para a realização sexual porque vai antecipar uma frustração, já que a realidade tem limitações, ficando sempre aquém da fantasia idealizada. Da mesma forma, a dependência da fantasia, como única fonte de excitação e prazer também é considerada preocupante pelos especialistas. Excetuando-se essas situações, para Escobar, não há padrões de normalidade ou anormalidade, de certo ou errado, de bom ou perverso, a não ser os criados culturalmente. É preciso entender o indivíduo dentro de sua história, do que ele está fazendo e aonde vai chegar com determinada atitude para saber se suas fantasias e ações são destrutivas ou não e em que circunstâncias, analisa. (M.D) |
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