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SOFRIMENTO
Turistas–reféns achados famintos nas Filipinas

TALIPAO, Filipinas – Vinte e dois reféns capturados na semana passada por extremistas muçulmanos em um balneário malaio apareceram ontem extremamente fatigados e reclamando de infecções e fome. Eles estavam numa pequena cabana de bambu nas montanhas de uma ilha filipina.

Os reféns, incluindo 10 turistas estrangeiros, se alegraram ao ver um médico e vários jornalistas chegarem à cabana, cerca de 45 minutos a pé da mais próxima estrada. Entre 50 e 70 rebeldes bem armados do Abu Sayyaf, usando capuzes, guardavam a área.

“Por favor, nos dêem água”, suplicaram vários reféns. Muitos reclamaram de diarréia provocada por água impura e da parca comida oferecida pelos rebeldes. Os reféns estavam sentados no chão da pobre cabana comendo arroz e mandioca.

A cabana parecia ser diferente daquela mostrada num videotaipe dos reféns feito no sábado, sugerindo que os cativos tinham sido transferidos de lugar. Os rebeldes, contudo, não permitiram que tais perguntas fossem feitas.

O Abu Sayyaf permitiu que um médico provincial, doutor Nelsa Amim, visitasse o esconderijo anteontem com vários jornalistas a fim de levar remédios para os reféns.Uma refém, a alemã Renate Juta, enrolava uma toalha nas mãos enquanto chorava. Ela disse que não conseguia andar por causa de uma lesão no joelho e tinha diarréia e infecções.

Os reféns são da Alemanha, França, África do Sul, Finlândia e Líbano, além de trabalhadores filipinos e malaios do balneário. Foram seqüestrados no Domingo de Páscoa na ilha malaia de Sipadan, um famoso ponto de mergulho, e estão sendo mantidos nas montanhas de Talipao, na ilha de Jolo, no sul.

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Jornal do Commercio
Recife - 02.05.2000
Terça-feira