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ALCALÁ DE HENARES III As aventuras e desventuras do criador do fidalgo Dom Quixote de La Mancha A maior e mais famosa praça de Alcalá é a Plaza Miguel de Cervantes. Um dos salões de beleza mais freqüentados da cidade é a Peluquería Cervantes. Ainda é possível almoçar na Taberna Don Quijote e ir a um consultório odontológico chamado... Miguel de Cervantes. Também tem o restaurante, a agência de viagens, o mercadinho... O mais famoso escritor espanhol está presente em todas as esquinas da antiga Complutum. Sua imagem foi imortalizada em bronze em meio à citada Plaza, e é ele, sem dúvida, um dos maiores atrativos da cidade. A casa onde o escritor nasceu, na Calle Mayor (antiga judería), no casco antigo do município, foi transformada em um museu que guarda diversos objetos, entre utensílios de cozinha, livros e pinturas, oriundos da vida doméstica da família Cervantes. Seu pai, que trabalhava como cirurgião sangrador (o que hoje seria um enfermeiro), ganhava pouco e sustentava a família de forma modesta. Miguel, batizado a 9 de outubro de 1547 na igreja de Santa María la Mayor) era o quarto dos sete filhos que Don Rodrigo teve com Leonor de Cortinas. As dificuldades financeiras fizeram com que a família procurasse vários lugares para viver com mais facilidade. Miguel passou apenas quatro anos de sua vida na pequena Alcalá de Henares. A casa foi posta à venda e a família migrou para Valadolid, onde estava, na época, a corte real. Ali, o pai de Miguel contrai várias dívidas, é preso e tem seus bens confinados. Mais tarde, acontece o mesmo em Sevilha. EM 1566, Cervantes escreve seu primeiro poema, intitulado Sereníssima Reina en Quien se Halla em homenagem à segunda filha da rainha Isabel de Valois. A princípio, seu trabalho é, invariavelmente, escrito para celebrar reis, rainhas e seus feitos. Enquanto sua família tenta sobreviver, Cervantes, em Roma, ingressa na batalha de Lepanto, contra os turcos otomanos. É ferido com dois disparos no peito e um na mão esquerda, que perde a mobilidade. A sorte, definitivamente, não era uma das características do escritor: depois da batalha, decide voltar à Espanha (estamos em 1575). Perto de Barcelona, uma tempestade dispersa os galeões e Miguel cai nas mãos de corsários turcos, que pedem 500 ducados de ouro (uma fortuna) à humilde família Cervantes. O jovem passa cinco anos e meio em cativeiro, na Argélia, e só é liberto depois que amigos e parentes conseguem juntar o ouro e pagar sua fiança. Já na Espanha, o escritor publica seu primeiro trabalho, La Galatea (Alcalá de Henares, em 1585), recebe uma discreta acolhida da crítica e público, fato que não o salva da onipresente falta de dinheiro. Termina trabalhando como arrecadador de impostos em Sevilha, para sobreviver. Ali, é novamente preso por movimentações escusas e termina sendo excomungado pelo padre da cidade (mais tarde, seria excomungado novamente, desta vez pelo vigário de Córdoba). É preso novamente, e conta-se que foi ali, no cárcere, que iniciou os primeiros esboços de El Ingenioso Hidalgo Don Quijote de La Mancha, obra que versa, entre outros assuntos, sobre a liberdade. Entre 1588 e 1596, Miguel, cansado dos inúmeros acontecimentos negativos que permeiam sua vida, entra em profunda crise espiritual e ideológica, o que afetaria definitavamente o conteúdo de seus escritos. Se instala de vez em Madri e ali produz vários poemas, que aleluia têm boa receptividade de público. Cervantes sai da crise financeira. Em 1605, a primeira parte de sua obra prima, Dom Quixote de La Mancha, é finalmente publicada e recebe numerosos elogios. O escritor havia inciado o que hoje é chamada de Romance Moderno. É esta a fase mais rica da carreira do espanhol: escreve Persiles y Sigismunda (1606) , Novelas Ejemplares (1613) e um ano depois Viaje del Parnaso (1614). A segunda parte de Dom Quixote é publicada, também em Madri, em 1615. O sucesso, o dinheiro e a fama encontram um Miguel doente e cansado, que pouco aproveita a melhor fase de sua vida. Morre em abril de 1616, finalmente rico e reconhecido. Seu corpo ainda está enterrado no convento de Las Trinitarias Descalzas de Madri. Cervantes nunca chegaria a saber que o seu Quixote seria, até hoje, considerado um dos grandes livros da literatura universal. (F.M.) |
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