LG_jc.gif (3670 bytes)

TURISMO RURAL
Na fazenda, mas com toda a mordomia

por Julliana de Melo

Acompanhar o dia-a-dia de uma fazenda e participar de suas atividades pode ser um passeio bastante atraente para quem quer relaxar, respirar o ar puro do campo e entrar em contato direto com a natureza. O turismo rural, bastante difundido no exterior e no sul do País, começa também a ser praticado no Nordeste, estabelecendo-se como uma alternativa para os setores turístico e econômico de algumas regiões.

Neste segmento do turismo, algumas propriedades são sedes de fazendas produtivas, históricas ou não, dispondo de área, mobiliário e decoração originais, onde seu titular compartilha o uso da casa com os hóspedes em regime de exploração familiar, proporcionando aos visitantes a participação nos trabalhos rurais realizados no estabelecimento.

Entre os municípios de Carpina e Lagoa do Carro, na Zona da Mata Norte de Pernambuco, por exemplo, os proprietários da Fazenda Engenho Cordeiro, estão apostando alto neste filão. Com a decadência do cultivo da cana-de-açúcar e da criação de gado, a solução encontrada foi seguir a tendência e ampliar a renda com o turismo rural. “A economia mundial mudou e os produtos agropecuários já não têm tanto valor. Observamos, através de viagens particulares que fizemos, que essa era uma prática muito comum, uma nova e interessante opção de explorar e produzir no campo”, explica um dos donos, Ricardo Uchôa Cavalcanti.

Para melhor atender os turistas, a estrutura da fazenda sofreu adaptações e os funcionários passaram por cursos de capacitação promovidos pelo Senac. Desde o início do ano, a fazenda vem recebendo grupos e excursões vindos de diversos lugares, mas a intenção dos donos é atrair também o público estrangeiro. “Para isso, dispomos-nos a pegar os hóspedes no aeroporto e visitar algumas cidades vizinhas, onde eles vão conhecer o povo, a cultura e o artesanato locais”, diz.

A casa-grande tem capacidade máxima para atender 20 pessoas e oferece telefone, televisão, banheiros com chuveiro elétrico, ar condicionado nos apartamentos, salas de jogos e leitura, alpendres com redes, "deck", bar e piscina. Para quem aprecia uma boa bebida, o estabelecimento ainda coloca à venda os produtos de sua adega, além da coleção de cachaça e destilados.

ATIVIDADES – Os visitantes podem assistir e participar livremente das tarefas da fazenda (plantios, colheitas, ordenhas, vacinações, apartações, ferrações, marcações, etc...) e caminhar entre as pedras ao longo do rio, excursionar até o alto da Serra da Fonte, montar e cavalgar, pescar, pedalar ou, simplesmente, relaxar, tomar sol à beira da piscina, repousar no ambiente bucólico da fazenda, e à noite admirar a lua, ouvindo as canções da terra e as histórias do folclore regional.

O fluxo de hóspedes é maior nos finais de semana e durante feriados, necessitando de uma reserva antecipada. Durante a semana, porém, a fazenda quer priorizar o atendimento ao público escolar, com um programa de um dia na integração escola-campo, oferecendo um roteiro diferenciado. Nele, a garotada será acompanhada o tempo todo por um zootecnista e um veterinário, que apresentarão a fazenda e darão explicações sobre os currais. Além disso, os alunos têm direito a passeios a cavalo, banho de piscina, atividades lúdicas, lanches e churrasco.

Os alunos podem aprender também como respeitar a natureza. Três quilômetros do Rio Tracunhaém cortam as terras da fazenda num ecosistema frágil e muito especial, que precisa ser preservado. No lugar, ter consciência e preocupação ecológica é um item exigido.

O preço individual para as excursões escolares sai por R$ 20. As diárias normais variam de acordo com o tempo da hospedagem entre R$ 50 (um dia), R$ 200 (três dias e duas noites) ou R$ 550 (oito dias e sete noites), por pessoa. Os proprietários, no entanto, garantem que famílias numerosas e grupos grandes podem negociar e conseguir descontos.

Serviço:

Fazenda Engenho Cordeiro - (81) 621 8188 / 341 2103
www.ructurural.adm.br

_________________________________________


Jornal do Commercio
Recife - 27.04.2000
Quinta-feira