LG_jc.gif (3670 bytes)

NO AR
Dicas para um vôo mais confortável

por MONA LISA DOURADO

Ao entrar num avião, principalmente para fazer uma viagem longa, a maioria dos passageiros sabe que terá de enfrentar horas de desconforto a bordo. Geralmente, o aperto e a falta de espaço entre as poltronas, a umidade do ar no interior da aeronave (de apenas 10%, quando a ideal é cinco vezes maior), a temperatura, a altitude e a pressurização, que tornam o oxigênio bem mais rarefeito que ao nível do mar, geram incômodos nem sempre fáceis de serem driblados.

Os sintomas mais comuns da reação do corpo às condições da cabine do avião são ressecamento da pele, dores de cabeça, irritação nos olhos e na garganta, entupimento dos ouvidos e inchaço nas pernas e nos pés. Alguns passageiros mais sensíveis chegam até a apresentar sangramento no nariz.

Apesar das adversidades, existem algumas estratégias que, se colocadas em prática, podem tornar a viagem mais agradável. Beber água ou suco a cada hora, por exemplo, ajuda a evitar dores de cabeça e a desidratação causada pela baixa umidade do ar.

Na bagagem da empresária Tatiana Marques, que viaja pelo menos duas vezes por mês para São Paulo e três vezes por ano para o exterior, o hidratante e as meias-calças de suave compressão são itens indispensáveis para combater o ressecamento das mãos e do rosto e as dores nas pernas.

“Além disso, bebo bastante água, coloco os pés para cima, mudo sempre de posição, levo mais de uma opção de leitura e nunca me preocupo com o tempo que falta para a chegada. É o que me ajuda a relaxar”, ensina a empresária, que já chegou a passar cerca de 27 horas dentro de um avião, da China para o Recife.

Para o executivo Marcos Belarmino, que faz no mínimo quatro vôos por mês, o maior problema dos aviões é mesmo de espaço. “Na classe econômica, então, é impossível viajar sem se sentir incomodado com o aperto. Sempre que posso, procuro levantar e esticar as pernas”, diz. De fato, as poltronas estreitas da classe econômica quase não permitem que os passageiros se movimentem.

PARA AMENIZAR – O comissário de vôo Fernando Fraga, da Varig, revela que costuma oferecer travesseiros para acomodar melhor as pessoas nas viagens muito longas e aconselha que os passageiros caminhem pela aeronave de vez em quando. “Na verdade, não há muito o que fazer. As companhias é que deveriam oferecer um espaço mais humano aos seus clientes”, critica.

A posição desconfortável, associada à baixa pressão atmosférica na cabine do avião, dificulta a correta circulação sangüínea, provocando sensação de dormência, sobretudo nas pernas e nos pés. Uma boa providência que ajuda a contornar o problema, de acordo com o médico acupunturista Marcos Freire, é aplicar técnicas de Do In (auto-massagem) nas áreas do corpo mais tensas.

Freire aconselha como exercícios simples e rápidos espreguiçar-se, girar os tornozelos dez vezes para cada lado, beliscar o tendão de Aquiles e massagear a batata da perna e o joelho, o que facilita o retorno do fluxo sangüíneo. “Respirações profundas e lentas também contribuem para oxigenar o sangue”, afirma.

Outro cuidado que se deve ter é com a alimentação. As refeições antes e durante o vôo devem ser leves e em quantidades moderadas. “O ideal é que os pratos sejam ricos em legumes ou carboidratos, como as massas, que alimentam e são de fácil digestão”, explica o fisiologista Marcos Botelho. Alimentos pesados podem ser responsáveis por cólicas e náuseas. A maioria das companhias aéreas possui uma certa variedade em seus cardápios, que chegam a contar com até seis opções diferentes em viagens internacionais.

No caso das bebidas, o melhor é optar por suco de frutas ou água. Se possível, é recomendável evitar os refrigerantes porque a baixa pressão da cabine pode provocar a expansão de gases no organismo, causando cólicas abdominais e sensação de mal-estar.

Já as bebidas alcoólicas costumam ter um efeito mais forte no ar, ajudando a acelerar o processo de desidratação do organismo. “Como não há dissipação do álcool porque a pessoa não se movimenta, ele tende a fazer efeito mais rapidamente”, esclarece Botelho. Assim, se a viagem for de negócios é bom manter distância do uísque.

Em viagens demoradas, alguns passageiros costumam utilizar remédios para dormir, com a intenção de descansar. O procedimento, segundo Botelho, não chega a ter contra-indicações, desde que o remédio tenha sido indicado por um especialista. No máximo, o sono vai dificultar a adaptação ao fuso-horário do local de destino.Quanto às roupas e sapatos, é sempre bom que eles sejam leves e folgados, evitando intensificar o desconforto. No mais, vale tentar se distrair com as opções de entretenimento das companhias e relaxar, esperando que o avião chegue o mais rápido possível ao destino desejado.

_________________________________________


Jornal do Commercio
Recife - 27.04.2000
Quinta-feira