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GENÉTICA
Genoma da vassoura-de-bruxa é mapeado

A vassoura-de-bruxa, fungo que ataca o cacaueiro, será o segundo fitopatógeno a ter seu genoma (código genético de uma espécie) desvendado no Brasil. O projeto começou ontem e envolve quatro instituições brasileiras, sob a coordenação da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp). No Nordeste, o seqüenciamento do DNA do fitopatógeno será liderado pela Universidade Estadual de Santa Cruz (Uesc), em Ilhéus, na Bahia.

O geneticista da Uesc Dário Ahnert explica que o fungo tem aproximadamente oito mil genes. Para chegar até eles, será preciso fazer cerca de 150 mil seqüências de DNA. Com o mapeamento genético da espécie, os pesquisadores pretendem entender melhor a interação do fitopatógeno com a planta. “Queremos saber como acontece essa ‘conversa química’ entre os dois. Com isso, teremos mais alternativas para combater o problema”, explica Ahnert, que tem doutorado em genética e melhoramento vegetal na Iowa State University, nos EUA, e é pró-reitor de pesquisa e pós-graduação da Uesc.

Segundo ele, a vassoura-de-bruxa provocou na Bahia uma queda da produção de cacau em mais da metade. “Em 1980, a produção era de 380 mil toneladas. Hoje caiu para 120 mil”, explica o pesquisador, que também coordena o Laboratório de Genética e Biotecnologia. Há plantações de cacau ainda no Vale do Rio Doce, no Espírito Santo, na Amazônica, e em São Paulo. A área cultivada estimada em todo País é de 800 mil hectares.

Além da Uesc e da Unicamp, participam do projeto de seqüenciamento o Centro de Pesquisas do Cacau da Comissão Executiva do Plano da Lavoura Cacaueira (Ceplac) e Cenargen, a unidade da Embrapa para Recursos Genéticos e Biotecnologia. Na Bahia, os recursos estão sendo garantidos pela Secretaria de Agricultura do Estado, que este ano repassará R$ 250 mil. O dinheiro será aplicado na aquisição de reagentes e consultorias. Até o final do ano, a Uesc pretende ainda adquirir um seqüenciador automático de DNA. Por enquanto, o trabalho será feito no centro da Ceplac.

PIONEIRO – O primeiro fitopatógeno que teve seu genoma conhecido foi a Xylella fastidiosa. A bactéria é responsável pela praga do amarelinho, que infecta quase 30% dos pés de laranja do Estado de São Paulo, causando prejuízos de mais de US$ 100 milhões anuais. O resultado do trabalho desenvolvido por 21 laboratórios coordenados pela Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp), foi publicado em julho como o artigo de capa da revista científica inglesa Nature.

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Jornal do Commercio
Recife - 02.09.2000
Sábado